quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

77 - OS INCENDIOS


Vem o fogo traiçoeiro
alguns bens roubar
tantos olham com indignação
para as labaredas
que se vão espalhar
É uma impotência total
ver a mata arder
ninguém põe os incendiários
na ordem, e ainda comentam
"Nada mais à, a fazer"
Diz-se que é fogo posto
e está difícil apanhar alguém
O incendiário sempre escapa
e virão outros fogos, sabem bem
As populações gritam bem alto
por justiça que está a tardar
depois será a desgraça
e um dia alguém vai aparecer
na fogueira que andou atear
Virão por aí dizer
que esta justiça 
não se deve aceitar
levando o povo a desconfiar
em quem se deve acreditar
Não é uma justiça correcta
todos nós sabemos isso
mas o incendiário pela certa
estava a pedir tal juizo 
e foi chamuscado como chouriço
Até pode servir de lição
para muitos que aí andam
é que tão cansados estão 
que o povo já não mais aguenta
a inércia dos que mandam
de: fernando ramos

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

76 - A PONTE


A PONTE
A ponte do nosso rio
todos temos de atravessar
vamos ter algum cuidado
para nela não tropeçar
A pé eu atravesso
se tiver algum tempo
pressa não posso ter
É que depois não aguento
Nesta ponte onde vou
onde há muita aragem,
grande pressa tenho eu
de chegar à outra margem
Minha ponte bonita és
e que vais de um lado ao outro,
da janela eu te vejo
nesta linda cidade do Porto
Minha vida é como a ponte
que nela caminharei
Atenção terei de ter
se não, nela me perderei
de: fernando ramos

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

75 - O BARCO VELHO


Sou marinheiro 
de um barco velho
e tenho aquilo
que sou
Mas não aparento
aquilo que tenho
porque um dia 
este marinheiro
pró mar fundo e largo
zarpou
Nele, 
vou por oceanos navegando
na esperança 
de bom porto encontrar
Sou um marinheiro velho
tão velho, como este barco
que a bom lugar me vai levar
Cansado, saudades tenho
de alguém que lá deixei ficar
Navegando por bom mar
o farol eu vou encontrar 
Aí, meu amor lá me espera 
com a esperança de eu chegar
e ter aquilo que sou
E este barco velho
tão velho como
o marinheiro que sou
num dia quando arraiar
o farol desse porto 
ele vai encontrar 
E então quando chegar 
meu barco vai atracar
e para o meu amor
serei, o marinheiro que sou
de: fernando ramos

74 - ERICEIRA


 Na linda Ericeira 
de muito sol e mar
há pessoas muito simpáticas
que sua vida é pescar
Gente simples e honesta
que na Ericeira estão a viver 
tem os turistas como amigos
que lá a andam a conhecer   
E lá, se volta sempre
quando a vontade aparece
é sempre bom por ali andar
a locais que agente conhece
Alguns turistas, à praia vão
nesse paraíso de muito mar
muitos tomam o seu banho
e depois, por lá vão passear
Muita gente lá vai
aos Domingos almoçar
e na volta p'ra suas casas
uns pãezinhos vão comprar
Quando da Ericeira saírem
ao Sobreiro vão passar
entram na loja do João Franco
p'ra suas artes visitar
E a caminho de Lisboa
na Malveira vão parar
visitam alguns cafés
para as trouxas degustar

de fernando ramos

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

73 - SEU CASTIGO


Ser mulher de má vida
é um destino traçado
Deus assim o quis
que se vivesse em pecado
Esta vida de mil perigos
a tantas, ela foi dada
não merecem tal castigo
Desta vida desgraçada
Só Deus sabe porque merecem
esta triste má sorte
Fazer, mulher da vida
até à hora da morte
Nasceram na podridão 
e que culpa elas tem
A vida para lá as levou
que infeliz castigo seu
É uma desgraça muito grande
nas suas vidas tão curtas
que mal fizeram a Deus
para terem vidas de lutas
Desde muito novas
levam má vida sem razão
Por todos os seus pecados
a Deus pedem perdão
de: fernando ramos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

72 - FADISTAS DA MINHA JUVENTUDE E DE AGORA


Fadistas de antigamente,
que bem que eles cantavam
Há, alguns que eu mais gosto
e outros, que menos encantavam
Para vos dizer a verdade
era pouco apreciador de fados
Mas sempre me habituei a ouvi-los
nos meus recantos pedaços
E nas tabernas bem antigas
cantava-se e bebia-se vinho
Os fados que menos gostava
eram os de traição e choradinho
Meu pai dos fados, era um fã
que na rádio, todos dias se tocavam
Daí que conheço alguns fadistas
e do jeito que tão bem cantavam
Eles eram o Fernando Farinha,
o Armandinho e o Marceneiro 
O Carlos Ramos, que era sublime
e o Tony que não era o primeiro
E havia a Cecília do Carmo
a Berta, a Ercília e a Maria Alice
E outras que já não me lembro
que hoje ouvi-las, ainda é a doidice 
Nas rádios, os fados se ouviam
e o povo cantarolava
e houve um imortalizado
"Quando o Hilário Cantava"
Também havia o Bettencourt
que era lá do Funchal
que, com o Torga escreviam 
bonitos fados de Portugal
Da Madeira ele era 
mas em Coimbra se instalou
Cantava, e escrevia bem
até que o Zeca o cantou
Dizem que Amália era a maior
e por isso lhe chamam a Diva
Eu gostava muito da Hermínia Silva
que pena, que já não seja viva
Ela falava no Pacheco
em tons de brincadeira,
como eu adorava ouvi-la
para mim era a primeira
Na casa de fado da Hermínia 
comia-se azeitonas e pão seco
bebia-se um bom vinho 
e ela começava com: "Anda Pacheco"
Também se falava na Severa
mas essa eu nunca ouvi
Diziam que era a Rainha,
mas a Hermínia, é que eu vi
Não esquecendo o Fernando Maurício
que era bastante afamado
Dizem que, era amigo de todos
e que bem ele cantava o fado
Temos aí outra fadista
que canta até que a voz lhe doa
é a Maria da Fé
que encanta as noites de Lisboa
E o nosso Carlos do Carmo
fadista de eleição
Com ele, todos devem aprender
a beber a nossa canção
É o grande Mestre
de todos fadistas de agora
Carlos do Carmo, vai fazer parte
da janela da elite de outrora
Hoje também há bons fadistas
a Mafalfa, Camané, Marisa, e outros mais 
Os antigos eram muito bons
mas todos são, fadistas fatais

de: fernando ramos

domingo, 20 de janeiro de 2013

71 - O INCENDIÁRIO



O que leva o incendiário
a cometer tão grande desgraça,
ver a mata arder
podem crer que não tem graça
Estes fogos malditos
que aparecem aqui, e al
São por causa dos incendiários
que vegetam por aí
É preciso uma grande loucura
e tamanha desfaçatez
Queimar a Natureza
que para todos, Deus fez
Os incendiários são loucos
por as matas atearem,
mas vejam lá se a loucura
lhes dá, para nelas se queimarem
Aos bombeiros, nossos heróis
os loucos não os deixam descansar
Todos os anos é a mesma sina
muitos fogos têm de apagar
As pessoas, tanto choram 
por ver seus bens arder
no fogo perdem tudo
nada lhes resta para comer
Vejam lá se acabam os fogos
grita o povo e com razão
Justiça do nosso país
metam os incendiários na prisão
As labaredas malditas,
que tudo vai queimar
Deus ajude os Bombeiros
os fogos apagar
de: fernando ramos

sábado, 19 de janeiro de 2013

70 - A SITUAÇÃO VAI PIORAR


A situação vai piorar
diz o povo sem agressão
andam por aí a brincar
com esta linda Nação
A situação vai piorar
gritamos todos na rua
já ninguém se entende
anda tudo é na lua
A situação vai piorar
informam órgãos de informação
eles raramente se enganam
quase sempre têm razão
A situação vai piorar
digo eu, e dizes tu
vamos lá tentar resolver
este problema bem comum
A situação vai piorar
nesta terra pessimista
já ninguém acredita
na mudança capitalista
A situação vai piorar
e o petróleo aumentar
vamos p´rás novas energias
ou o mundo vai acabar
A situação vai piorar
e já não é de agora
como toda a gente sabe
é o mesmo lá fora
A situação vai piorar
já diziam os nossos avós
os problemas são os mesmos
só que agora somos nós
A situação vai piorar,
esperemos pela melhora
há que ter esperança
senão a vida só piora
A situação vai piorar,
eu começo a achar que não
isto já está tão mal
agora era só tirar o pão
de: fernando ramos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

69 - A ESQUINA DO MEDO


Maria, era o nome da prostituta 
que frequentava aquela esquina 
Do medo como era conhecida
Exibia suas longas pernas 
a todos que passavam por lá 
na esperança que um cliente a salvasse 
daquela noite, para que seu chulo 
lhe desse a dose de heroína 
e não lhe batesse como era seu hábito 
sempre que ela não fazia dinheiro 
na esquina do medo
Maria vivia na vergonha das cicatrizes 
de seu rosto e por isso as tentava disfarçar, 
elas eram as marcas da desgraça 
devido às tareias que seu homem lhe dava 
Mas ela mesmo assim o amava apesar de tudo, 
e comentava com as amigas de destino: 
Que triste é ser puta e gostar 
de um homem como o meu, 
que triste sorte de ter que voltar 
para esta vida todas as noites
Maria lamentava-se, mas não conseguia 
dizer adeus à perversidade que carregava, 
nem a quem a mal tratava 
Também não conseguia procurar 
outros caminhos menos penosos 
devido ao vicio que seu corpo andava mergulhado 
Até que um dia Maria, cansada da má sorte 
resolveu parar seu destino 
E numa dose fatal de heroína para ela 
tudo tinha terminado 
Suas bonitas e longas pernas 
deixaram de ser vistas naquela esquina do medo

de: fernando ramos

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

68 - MEU CANTO


Canto a minha liberdade
em poemas de paz e amor
inspirados por poetas
que encorajam meu fervor
Canto à saudade vivida
de tempos atrás passados
Onde lembranças gravaram 
Todos os meus pecados

Canto à natureza
que me dá alento p'ra viver
Sabendo que ela um dia
me irá deixar morrer
Canto ao meu destino
porque ele me faz amar
Quem na minha vida
segue o meu cantar
Canto à alegria
que vai por meu peito,
ela me deixa exuberante 
Com a paixão que me deito
de: fernando ramos 
20.07.2005

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

67 - VAMOS MUDAR O MUNDO


Mudar o mundo é difícil
mas alguém tem de o fazer,
neste deserto de ideias
um dia tem de acontecer
É preciso tudo mudar
porque assim não se vai lá,
se lá longe não se entendem
o mesmo acontece cá

Ó mundo, vê lá se paras
com estas guerras atroz,
a natureza esta a mudar
e quem sofre somos nós
Vê mundo p´ra onde vais
com o comércio global
Os países mais pequenos
precisam de apoio total
Que achas tu mundo
das desgraças que por aí vão,
muita fome e muita guerra
como nas terras do Sudão
Houve lá as minhas preces
que as faço com fervor,
eu só peço ao meu Anjo
paz no mundo, e muito amor
Dá um sorriso mundo,
nem tudo são más esperanças
também temos coisas boas
como a gargalhada das crianças
de: fernando ramos

sábado, 12 de janeiro de 2013

66 - A NOITE DOS SÁBIOS


A NOITE DOS SÁBIOS

Hoje é a noite de todos os sábios, 
daqueles que tudo sabem
Como: 
Construir, destruir, conservar 
e até criar amores, e desamores, 
e quem sabe... Acabar com a guerra

Hoje é a noite dos saberes do aprender, 
da ilusão e também da desilusão, 
da gargalhada feliz e da lágrima rolante

Hoje é a noite, 
em que os sábios nos vão dizer 
porque é que a terra é redonda, 
e o sol não é a luz da vida

Hoje é a noite de soltarem as loucuras, 
a poesia, os cantos de Camões 
e os sábios também
Esta noite chove prata 
e vai ser inesquecível, 
é a noite das noites, 
porque os sábios, vão andar por aí...

de: fernando ramos

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

65 - O TACHO


O TACHO
O tacho serve para tudo
Também para cozinhar
Dele, alguns se vão aproveitar
Para sua vida engordar
O tacho, até dá empregos
A muita gente incompetente
Que se aproveitam de lugares
Com estatuto permanente
Quem paga a estes senhores
É sempre o Zé povinho
E eles só lá estão a ganhar
O nosso rico dinheirinho
Contem lá senhores Políticos
Esta história engraçada
De salários com as reformas
Que dá grande caldeirada
Hoje há tachos para tudo
Desde que se ganhe algum
Bons lugares para Presidentes
Que não são para qualquer um
O tacho, é coisa boa
Que veio para ficar
Ele nunca se irá embora
Nem os políticos iriam deixar
E quem paga estes tachos
Digam lá meus senhores
Se o povo não tem razão
De estar farto de tais doutores
de: fernando ramos

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

64 - LEMBRAR


Deixa-me lembrar
Os beijos que ficaram Por dar
Dos sonhos que tivemos
E do que não conseguimos Falar
Deixa-me lembrar
Das noites que passaram
Em que nossos corpos
Colados ficavam Suspirando de amor
Deixa-me lembrar
Da tua longa ausência
Que me trazem noites
Cheias de nada
Deixa-me lembrar
Dos sonhos Que não se realizaram
Porque a vida assim deseja
Deixa-me lembrar
Do tempo que espero, e desespero
Por saber Que já não vens mais
Deixa-me lembrar
Da tristeza, Que se passeia
Por meu coração
Só por não estares
Deixa-me lembrar
Da janela aberta
De teus olhos que hoje
Só olhariam pedaços de mim
Deixa-me lembrar
Dos bons momentos que tivemos
Desses... Jamais irei esquecer
Meu amor

de: fernando ramos

sábado, 5 de janeiro de 2013

63 - FALAR DE LISBOA


Falar de ti ó cidade
é sempre muito agradável
tanta coisa para dizer
da Lisboa de liberdade

Cidade de altos e baixos
sete colinas, ela tem
Jardins, praças e Museus
existem, nela também

E o parque das Nações
Junto ao rio da Cidade
é a parte nova de Lisboa
que nos enche de felicidade

Belas Ruas e avenidas, há
de Alvalade a Belém,
E temos o Oceanário
que é muito bonito também

Passeando pela cidade
alguns jardins encontramos
Um Campo Grande muito verdinho
para os lados de Entre-Campos

E a nossa Baixa antiga
há lá uma zona bem bonita
é a Praça da Figueira
onde o Castelo se avista

Lisboa é conhecida
pelos seus raios solares
mas o que a faz tão alegre
são os seus belos cantares

Os eléctricos amarelos
são transportes de Lisboa
os turistas viajam neles
que dizem ser coisa boa

Esta cidade de Marinheiros
é das mais bonitas do mundo
tem um povo muito simpático
e o rio Tejo bem ao fundo

E na Lisboa antiga
o fado é às desgarradas
o povo anda na rua
e os turistas nas noitadas

E nos Santos populares
quem vai nas marchas muito sua
é o povo que vai nelas
com as suas cantigas da rua

de: fernando ramos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

62 - HÁ PROSAS


Há prosas que falam de amor
Há Prosas que falam do céu
Há prosas que falam das cidades
Há prosas que falam dos rios
Há prosas que falam de crianças
Há prosas que falam das estrelas
Há prosas que falam dos animais
Há prosas que falam dos livros
Há prosas que falam da guerra
Há prosas que falam da paz

Mas para mim, boas prosas são,
as que falam de ti, mulher

Há prosas que falam de ti
Há prosas que falam de teu corpo
Há prosas que falam de teus lábios
Há prosas que falam de teus olhos
Há prosas que falam de teus cabelos
Há prosas...

Mas as melhores prosas são,
as que falam do nosso amor

de: fernando ramos

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

61 - MÁ VIDA


Passear em certas ruas
da minha cidade à noite
é por vezes uma aventura
Encontramos sombras,
as sombras do medo
E mulheres de má vida 
vagueiam por aí
no meio da silenciosa sombra
em algumas esquinas,
a quem a sociedade 
displicentemente 
chama de local das "putas"
Elas que vão andando 
por lá, em zonas
mais ou menos escuras
onde muito poucos
talvez enfrentando
o tal medo, aí passam
Os bares de alterne 
que há em alguns locais
tem mulheres e homens 
que são empregados,
ou mesmo proprietários,
que à porta vão convidando 
quem passa, a penetrarem 
nos seus antros mais recônditos
Lá dentro, prostitutas
de pernas sinuosas vão mostrando 
seu corpo, esperando por um
cliente de última hora, que
teima em não entrar
Algumas delas, vê-se pelos seus
olhares, o medo que as cerca
pela presença, por perto de
seus chulos, que se dizem 
protectores, mas mais
não fazem do que explorá-las
Não tendo algumas, qualquer
meio de abandonarem essa vida
por se encontrarem ‘agarradas’ 
Umas por dificuldades económicas
outras mesmo, à droga que as
vai matando pouco, a pouco
mantendo-as como preciosas
companheiras das sombras 
do seu mau destino
Pobre sociedade esta 
onde vivemos, 
que não protege seus filhos, 
e os obriga a vidas,
que muito poucos entendem
ou não querem entender

de: Fernando Ramos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

60 - AMOR NO ESQUECIMENTO


Enviei pró esquecimento o amor
que sentia por ti
não sei se será por pouco tempo
ou não será, tão breve assim
Quero fugir deste braseiro
que consome meu peito
e não o tenho conseguido
Já enviei o amor desfeito
para um lugar de esquecimento
Minha paixão não pode ser de nada,
tem de ser de tudo
por isso coloquei lá este meu pobre amor
Não posso ser só eu amar
guardando a tua imagem em meu ser,
que sofre pela tua indiferença
A ti pouco importa meu desespero
e eu não posso mais
e enviei este amor para o esquecimento
Talvez não seja seu local exacto
mas tenho de te esquecer
Não faz mais sentido
sofrer tanto assim

de: fernando ramos