quinta-feira, 29 de novembro de 2012

49 - É NECESSÁRIO


É necessário amar
sempre, sempre
e perdidamente
É necessário observar 
As estrelas
em noites de luar
É necessário não usar a crueldade
olhares infinitos, lamentos 
e cair no silêncio
É necessário reinventar 
novas formas de vida
amar loucamente
E criar lírios no jardim
É necessário dar beijos 
abraços, e olhares 
de amor
É necessário a paz,
e os sussurros do vento
nas noites de inverno
É necessário passear no campo 
de mãos dadas
amar os animais e a natureza
É necessário dar longos beijos 
com ternura, paixão
e ter longas noites de amor
É necessário voltares 
sempre para mim
e dizeres que me amas
É sempre necessário
sempre, sempre
de: fernando ramos

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

48 - FUGIR DE MIM


FUGIR DE MIM
Sinto que a noite
de mim está fugindo
talvez, para que
eu não ame
quem meu ser deseja 

Este amor tem sido
o companheiro na minha
imensa escuridão
e não deixa que a solidão
tome conta de mim
Amanhã pela aurora 
o sol vai aparecer
na crista de uma onda
de mares procurados
E nela virá amores desavindos
que se encontram perdidos
nas noites que outrora fugiram
mas que se vão encontrando
num tempo não distante
E no sol sentirei seu calor
que fará que eu não deixe
de me entregar ao meu amor
que é a musa das noites
que agora me querem deixar 

de: fernando ramos

terça-feira, 27 de novembro de 2012

47 - MEU ROSTO VELHO


MEU ROSTO VELHO

Desculpem meu rosto velho
Que se arrasta no tempo
Fazendo esboçar a revolta
P’la falta de compreensão
Dos invernos passados
Por todos os rostos enrugados
Desculpem meu rosto velho
E o que vai na alma, de quem
Ofereceu muito aos outros
E como retribuição recebeu
A solidão desesperante nas noites
Que teimam em não chegar ao fim

Desculpem meu rosto velho
E da falta de esperança
Num bom amanhã, que nunca teve
Porque se foi escapando entre
Dedos das mãos, a quem a vida
Não perdoa pelo tempo gasto

Desculpem meu rosto velho
E o de todos os outros
Que se encontram abandonados
À sua triste sorte
Nas solitárias rugas da vida
Que o tempo não perdoou

Desculpem meu rosto velho
Como um dia alguém terá
De desculpar o vosso rosto
E pela falta do vosso amanhã
Em que sofrerão a mesma solidão
Que só vos deixará no vosso fim

DE: FERNANDO RAMOS

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

46 - CARTAS DE AMOR



Cartas de amor escritas
com tanta paixão
são cartas que chegam 
ao destinatário que reside
em teu coração
Cartas de amor
são espelhos do 
teu rosto vagueando
intensamente 
em meus pensamentos
Cartas de amor simples
e belas são aquelas
que levam beijos, 
que zelam por ti
a todo momento
Cartas de amor,
são beijos de partida
que veem de ti,
nunca beijos de chegada
que residem em mim
Cartas de amor 
escritas com alma
são verdadeiras sem
cor, sem credo
e sem Raça

Cartas de amor
nunca deveriam 
ser fechadas sem 
primeiro serem beijadas
com muito ardor
de: fernando ramos

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

45 - DUVIDAS


Um dia,
alguém irá dizer
que existe paixão
Em actos de afectos
dados com coração,
Sim
Será que alguém,
um dia dirá que não
existe magia numa relação
Duvido
Porque se o amor existe
Existe uma razão!
de: fernando ramos
06.07.2005

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

44 - A MANTILHA PRETA ESPANHOLA


Gosto de te ver
mulher graciosa e esbelta
com a tua mantilha
Cobrindo o rosto de olhares
indiscretos, como dando
sinal que outro amor
te pertence
Mesmo assim gosto de te ver
ao passares por mim
Não sei compreender
por que isso acontece
será por alguma magia
que possui a tua mantilha
Sei que teu coração tem dono
e não tenho ilusões
de alguma traição possas cometer
Mas resta-me a esperança
de alguma vez já não usares
a tua mantilha preta Espanhola
para que teus lábios
eu possa olhar
E um dia quem sabe
sentir quanto doces
eles são
Gosto de te ver
quando passas por mim
fernando ramos

sábado, 17 de novembro de 2012

43 - AMIZADE PERTURBANTE


Ela mais uma vez não está,
já todos sabiam
Mas volta, volta sempre,
dizem amigos de ocasião
que gostam dela,
e do seu jeito intimista
Ela não os desilude
quando está presente
Sua sensualidade é perturbante
de mais para seus dois amigos,
que angustiados olham
para tanta beleza de seu corpo,
cuja as formas os faz sonhar
Os dois a amam,
mas ela é como as aves,
sem poiso que seguem
por vezes seu caminho
para os mares do sul,
e só voltam quando o vento
muda de direcção
E de vez enquando,
o vento muda,
e seus amigos tem esperança,
mas ela depois volta sempre
para lá com as aves,
nunca fica
Tornando esta amizade
cada vez mais perturbadora

fernando ramos

terça-feira, 13 de novembro de 2012

42 - REVIVER O PASSADO


REVIVER O PASSADO
Recordar minha vida
É quase como voltar ao tempo 
Do preto e branco
Não que ela não tenha
Algumas cores
Mas também não a troco
Por outra, por muito
mais colorida possa ficar
E nem por mais um dia de ilusão
Só de me lembrar
De quando era menino,
E minha mãe me encostava
A seu peito, e eu baixinho
Dizia de como gostava dela
Dá uma grande saudade
Pedir para ela voltar
Impossível é, e eu sei que é 
Mas se o regresso acontecer
Para minha mãe aqui vou estar
Oferecendo-lhe flores de todas 
As cores, donde brotam infinitos
Odores de amor de suas pétalas
E eu, pedindo novamente 
O colo que perdi
Esperando que ela
Nos meus ouvidos, sussurrando 
Me dê conselhos de mãe
Que tanta falta me estão fazendo
Reviver o passado
Torna-se penoso
Porque o passado não volta
E minha mãe
Jamais aqui vai estar
Oxalá eu ande enganado
fernando ramos

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

41 - SAUDADE DE INVERNO


SAUDADE DE INVERNO
O inverno chegou
A chuva miudinha bate 
Na vidraça de minha janela
O vento assobia como se fosse
Por magia, anunciando
Os dias tristes
Que se aproximam
Este é sempre um sinal
De que o Inverno começou
Lembrando o passado
De anos próximos
Em que meus pais no início 
Da época das chuvas e do frio
Me aconchegavam, 
Junto da janela 
Onde eu repetidamente 
Olhava a chuva
Ouvindo o ruidoso vento
Que saudades eu tenho deles
E destes belos momentos
O bom Deus
Os chamou ainda cedo
Deixando-me só na casa
Onde todos os dias
À minha lareira
Junto da ombreira da porta 
Os recordo
E, ao ouvir o vento
Como neste Inverno
Me lembro da voz de minha mãe 
Gritando para não me aproximar 
Da velha porta da rua
Porque o vento, e a chuva
Daquela altura do ano
Poderia trazer-me doenças
Próprias de Inverno
Pai e mãe!
Deixaram-me só 
Com a preciosa recordação 
Dos nossos Invernos 
Mas o velho vento
E a chuva miudinha
Que sempre bate
Na nossa vidraça
Esses ficaram
Para outros Invernos
Como minhas lembranças futuras
Fernando ramos

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

40 - A VERDADE DE EXISTIR


É verdade que não existes
Enquanto houver quem não te veja
Porque se existir quem te veja
A verdade de existires
É verdadeira
Alguém me diz que te encontrou
E aí eu acreditei
Foi o meu anjo 
Portador da boa nova
Da verdade que sempre existes
Porque te escondes da verdade
Se dela não deves ter medo
Quem se esconde atrás da verdade
Não quer da verdade saber
Se é verdade que dela te escondes
Qual o motivo verdadeiro
É porque existes
Se não tiveres motivo
Deixa a verdade acontecer
de: fernando ramos

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

39 - FELICIDADE


Alguém sabe o que é a felicidade? 
Penso que a felicidade é amor 
Bem aventurados aqueles 
Que sabem o que é a felicidade e o amor 
Saber amar, é amar muito, é desejar, 
É ser desejado e ter alguém que também o ame 
Mas amar não é possuir, ou ser possuído 
Isso é sentir um desejo profundo de querer 
Amar é estar com quem se quer amar 
E saber que o outro sabe de nós
E que nos ama quando precisamos 
De ser amados
A amar é sentir a felicidade
E a felicidade é amor

de: fernando ramos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

38 - A COLINA


Ao subir a longa colina
No meio, fui descansar
Estava tão exausto
Que por ali tive de ficar
Passado algum tempo
Ganhei forças para andar
Subi mais um pouco
Mas acabei por parar
Estava eu, a voltar andar
Quando para cima olhei
E ao ver o cimo da colina
Tão preocupado fiquei
Não é que a minha amiga colina
Muito cumprida, ela é
Ainda vou perder algumas horas
Para ao cimo, chegar a pé
E vou por ali acima de abalada
Que de forças já estou capaz
Ao estar próximo da chegada
Vi lá um grande cartaz
O tal cartaz dizia assim:
Vieste tu por aí fora
E como prémio te digo
Adeus, ó vai-te embora

Pensava que ir ao topo da colina
Era preciso persistência e arte
Afinal, não passou de tolice
Para não dizer um disparate
de: fernando ramos

domingo, 4 de novembro de 2012

37 - MINHA CORAGEM


MINHA CORAGEM

Tenha eu coragem
De viver um dia de cada vez
Na doce loucura De te amar
Deus faça com que eu nunca
Te esqueça, apesar da saudade
Me fazer perder a razão
Nas noites vazias
E que me deixe amar
Sem odiar tuas ofensas
Tenha eu sempre vontade
De procurar minha alma em ti
E que a solidão
Nunca me sirva
De má companhia
Para momentos de pecado
Meu Deus,
Tenha eu coragem para viver
Sem esta dor
E que este amor
Nunca fuja de ti

de: fernando ramos