terça-feira, 25 de dezembro de 2012

59 - POBRE POVO


Neste pobre país
a consciência moral 
parece estar afastada
daqueles que têm obrigações
perante quem os elegeu
A corrupção em determinados
sectores da sociedade
vai acontecendo
Em que políticos, ou pessoas
sem vínculo político
mas ligadas a diversas actividades
de grandes responsabilidades
se passeiam por cidades 
aldeias e vilas
como de heróis, se tratassem
Alguns, têm a justiça há volta deles
com processo onde são arguidos
mas a justiça mal funciona por 
causa de uma máquina pesada
e mantida por outros políticos
incompetentes, e se calhar por 
interesses diversos
Os julgamentos levam anos 
a fazer-se, e com isso
permitindo-se tudo, ou quase tudo
Temos casos de alguns desses 
políticos Autarcas, se darem ao luxo
de voltarem a concorrer 
Para os mesmos lugares
Onde desviaram dinheiros públicos 
para proveito próprio
Políticos sem vergonha 
que voltam a enganar o povo 
pedindo o seu voto
com promessas de benesses
que quase sempre
não são cumpridas 
E se forem terão sempre
algum interesse pessoal
Povo ingénuo
Que se deixa enganar
por 'trinta dinheiros' e volta
a votar nestes 'figurões'
e por vezes elegendo-os 
para lugares importantes
Pobre país este
para onde vais
com um povo assim!
de: fernando ramos

domingo, 23 de dezembro de 2012

58 - PENSAMENTO OCULTO


PENSAMENTO OCULTO
Tenho pensamentos 
que andam 
à muito ocultos
Agora estão surgindo
em minha mente
E vejo-te, como há muito
não acontecia
Tudo me parece um fardo
que carreguei tempo de mais
pela ânsia de não te sentir
ou não te ver
Passou demasiado tempo
que tua imagem não aparecia 
E sem saber de teu espírito
que por mim antes esvoaçava
Tive de dar como perdido e deixar ir
para um local de esquecimento.
E por teres ido para o lado
oculto de meu ser
talvez a mágoa, 
também tenha ido
Ainda por vezes, 
meus pensamentos me atraiçoam
e tu apareces como hoje
Mas é bom esta tua
fugaz presença, 
e eu, fico surpreendido
por ainda te amar
de: fernando ramos

sábado, 22 de dezembro de 2012

57 - A VIDA


No fim de tantos desafios
e também de alguns disparates
que vamos fazendo pela vida fora
Finalmente percebemos a grande lição!
A vida só pode ter beleza e amor,
quando atingimos o ponto
em que amamos tanto os outros
como a nós próprios
Assim conseguiremos colocar
o sofrimento num velho baú lá de casa,
e continuar nosso caminho
Com isso conseguiremos olhar
a vida, e os outros de frente,
sem grandes medos, e velhos preconceitos
Como a indiferença o egoísmo,
e o racismo que ainda existem
na nossa sociedade que se diz globalizada
e que não é mais, do que fechada em si própria
Temos sempre de ter força e ir à luta,
na certeza que solidários uns com os outros
poderemos vencer E com isso viver cada dia
da nossa vida com mais liberdade,
como se do último dia tratasse
Temos de dar atenção a todos os pormenores
que nos rodeiam, e perceber o encanto
que tem as pequenas coisas,
que sempre julgámos menos importantes,
e que a natureza generosamente nos vai oferecendo
Como as pessoas, o mar os animais,
o amor e sempre o amor pelos outros também

de: fernando ramos

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

56 - CORAÇÃO SEM AMOR


Vou domar o meu amor
De coração sereno e contido
Sem deixar que ele sofra
No teu mundo perdido
E como então, acalmá-lo
Com teu amor de pouco ardor
Se tu por ele não sentes
A mesma poesia de amor
Canto poemas para ti
Parece-me que de nada serve
Meu coração te ama de mais
E só ele, só ele é que perde
Poemas de amor eu escrevo
Para teu coração acordar
O meu não quer ficar só
E precisa do teu p'ra amar
de: fernando ramos

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

55 - O MEDO


Andamos a ser dominados pela violência,
que traz terror, infelicidade e desconfiança
Ela persegue a humanidade
com a sua actuação rápida e traiçoeira,
em locais que não se espera
Onde terroristas bastardos
tudo destroem sem dó
Parece que o medo está a ganhar
e tem tudo para continuar na vingança,
na morte e destruição
Ele segue o caminho onde a paz
é podre e impossível
Os povos não estão seguros
temos de enfrentar este receio
que nos enlouquece, persegue-nos, e mata
O medo não pode chegar
de forma alguma em primeiro nós
não podemos deixar que ele nos vença
Temos de ser fortes persistentes
e audazes para o enfrentar de peito aberto

de: fernando ramos

sábado, 15 de dezembro de 2012

54 - OS ELECTRICOS DA CIDADE


Nos elétricos, da carris
Viajar é coisa boa
Percorrem ruas e avenidas
Colorindo a menina Lisboa~

Na carreira vinte e oito
Que dos Prazeres à Baixa, vai
Está sempre tão chainho
Mas dele, ninguém sai

Simpáticas viagens se fazem
Da Praça da Figueira a Belém
Bem juntinhos ao rio Tejo
Numa viagem de vai e vem

E nas viagens pró Castelo
Vão turistas encantados
Alguns não tem este transporte
Que cá, os deixa maravilhados

Digam lá senhores estrangeiros
Se as viagens não são bonitas
Vê-se Lisboa dos Eléctricos
Nos passeios p'ra turistas

de: fernando ramos

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

53 - EU ESCREVO


EU ESCREVO
Escrevo, e não sei
se sou escritor ou poeta
mas é sobre o amor
ou de outras coisas mais


Talvez seja uma necessidade escrever
frases mais ou menos profundas
de sofrimento, ou até de brincadeiras
Escrevo das noites, dos dias, de sexo
política, até do sol e do mar
e outras vezes do vento
e até da chuva
mas escrevo, mal ou bem

Ás vezes sobre desejos, sonhos
e outros temas mais


Escrevo devagar, ou mais depressa
mas sempre com sentimento
Sei que caminhando se faz a vida
e escrever se fazem desejos
se forem profundos
é a vida no seu melhor
Então eu vou por aí
Posso escrever muito, ou pouco
e outras vezes nada
mas sempre vou escrevendo

de: fernando ramos

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

52 - PALAVRAS AO VENTO


PALAVRAS AO VENTO
Algumas palavras se dizem
que não partem do coração
Mas elas magoam tanto 
e são ditas sem razão
Vamos, as esquecer depressa
más palavras, levas o vento
E essas não voltam mais
para o nosso contentamento
Vamos ter muito cuidado,
para não as dizermos mais
Elas são ditas sem nexo
São palavras tristes e fatais 

Por elas o vento vai esperando
porque não as queríamos dizer
não foram ditas com emoção
nem por nosso belo prazer
As palavras saem tão rápido
como se fosse um sopro na pena
não deviam ser ditas assim
nem da maneira mais serena
Vamos todos lá pensar
nas palavras a dizer
para evitar dissabores
e depois, nada há a fazer
O vento é nosso amigo
por as más palavras levar
temos de lhe agradecer
por nunca as deixar ficar
de: fernando ramos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

51 - ADEUS FADISTA


ADEUS FADISTA
Desapareceu o nosso fadista
Mas ficou sua arte de cantar
Com ele foi embora a vida
Que soube tão bem amar
Adeus fadista do país
Da nossa liberdade
Agora que tu partiste
Resta apenas a saudade
O fado ficou mais pobre
Com esta tua saída
Deixaste todos nós
E não cantaste na despedida
Cantavas o poema Português
Com a guitarra a se emocionar
Chorava o pobre, e o Burguês
com tua voz de aconchegar
Cantaste nos becos, o fado 
Nas vielas e na rua
Cantaste em todo lado
Até quase cantaste na lua
Mas porquê amigo fadista
Ires para outro lado cantar
Eras aqui o grande artista 
Do povo que te quer escutar
Com esta tua partida
Fica a nossa saudade
Mas teu fado vai continuar 
Para bem da liberdade
Adeus bom eterno fadista
De ti iremos sempre falar
Pelos anos que te ouvimos
A lágrima vamos deitar
Não penses que ao ires embora
De ti não vamos mais lembrar
Estas enganado meu amigo
Para nós vais sempre cantar
de: fernando ramos

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

50 - FADISTAS E GUITARRADAS


Cantadores e cantadeiras
do meu belo Portugal
bonitos fados cantam 
Para esta terra sem igual
Tocai, guitarristas tocai
para as nossas gentes alegrar
faça-se ouvir as guitarras
e as vozes acompanhar
É sempre bom ouvir o fado
em ambiente de muita calma
Os nossos fadistas lá cantam
bonitos fados, com raça e alma
Suas gargantas se fazem ouvir
em muitas noites de calor
Ouvem-se fados à desgarrada
cantados com muito fervor
Grandes fadistas por aí andam
E muitos cantam sem pecado
Outros por aí se ouvem
Nas simpáticas casas de fado
E tivemos a Severa, e a Amália
Temos a Marisa e o Camané
Tantos mais por ai há
Cantando de pura fé
As guitarras tocam baixinho
Já dizia o saudoso poeta
E quando as guitarras tocam
Não tocam de forma discreta
Os fados vadios se ouvem
Pelos becos e ruas de Lisboa
Há algumas gargantas desafinadas
Mas uma ou outra, é muito boa

Cantai, fadistas cantai
Pró país e os artistas 
porque o povo gosta muito
Que tanto grita "HÁ FADISTAS"

de: fernando ramos

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

49 - É NECESSÁRIO


É necessário amar
sempre, sempre
e perdidamente
É necessário observar 
As estrelas
em noites de luar
É necessário não usar a crueldade
olhares infinitos, lamentos 
e cair no silêncio
É necessário reinventar 
novas formas de vida
amar loucamente
E criar lírios no jardim
É necessário dar beijos 
abraços, e olhares 
de amor
É necessário a paz,
e os sussurros do vento
nas noites de inverno
É necessário passear no campo 
de mãos dadas
amar os animais e a natureza
É necessário dar longos beijos 
com ternura, paixão
e ter longas noites de amor
É necessário voltares 
sempre para mim
e dizeres que me amas
É sempre necessário
sempre, sempre
de: fernando ramos

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

48 - FUGIR DE MIM


FUGIR DE MIM
Sinto que a noite
de mim está fugindo
talvez, para que
eu não ame
quem meu ser deseja 

Este amor tem sido
o companheiro na minha
imensa escuridão
e não deixa que a solidão
tome conta de mim
Amanhã pela aurora 
o sol vai aparecer
na crista de uma onda
de mares procurados
E nela virá amores desavindos
que se encontram perdidos
nas noites que outrora fugiram
mas que se vão encontrando
num tempo não distante
E no sol sentirei seu calor
que fará que eu não deixe
de me entregar ao meu amor
que é a musa das noites
que agora me querem deixar 

de: fernando ramos

terça-feira, 27 de novembro de 2012

47 - MEU ROSTO VELHO


MEU ROSTO VELHO

Desculpem meu rosto velho
Que se arrasta no tempo
Fazendo esboçar a revolta
P’la falta de compreensão
Dos invernos passados
Por todos os rostos enrugados
Desculpem meu rosto velho
E o que vai na alma, de quem
Ofereceu muito aos outros
E como retribuição recebeu
A solidão desesperante nas noites
Que teimam em não chegar ao fim

Desculpem meu rosto velho
E da falta de esperança
Num bom amanhã, que nunca teve
Porque se foi escapando entre
Dedos das mãos, a quem a vida
Não perdoa pelo tempo gasto

Desculpem meu rosto velho
E o de todos os outros
Que se encontram abandonados
À sua triste sorte
Nas solitárias rugas da vida
Que o tempo não perdoou

Desculpem meu rosto velho
Como um dia alguém terá
De desculpar o vosso rosto
E pela falta do vosso amanhã
Em que sofrerão a mesma solidão
Que só vos deixará no vosso fim

DE: FERNANDO RAMOS

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

46 - CARTAS DE AMOR



Cartas de amor escritas
com tanta paixão
são cartas que chegam 
ao destinatário que reside
em teu coração
Cartas de amor
são espelhos do 
teu rosto vagueando
intensamente 
em meus pensamentos
Cartas de amor simples
e belas são aquelas
que levam beijos, 
que zelam por ti
a todo momento
Cartas de amor,
são beijos de partida
que veem de ti,
nunca beijos de chegada
que residem em mim
Cartas de amor 
escritas com alma
são verdadeiras sem
cor, sem credo
e sem Raça

Cartas de amor
nunca deveriam 
ser fechadas sem 
primeiro serem beijadas
com muito ardor
de: fernando ramos

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

45 - DUVIDAS


Um dia,
alguém irá dizer
que existe paixão
Em actos de afectos
dados com coração,
Sim
Será que alguém,
um dia dirá que não
existe magia numa relação
Duvido
Porque se o amor existe
Existe uma razão!
de: fernando ramos
06.07.2005

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

44 - A MANTILHA PRETA ESPANHOLA


Gosto de te ver
mulher graciosa e esbelta
com a tua mantilha
Cobrindo o rosto de olhares
indiscretos, como dando
sinal que outro amor
te pertence
Mesmo assim gosto de te ver
ao passares por mim
Não sei compreender
por que isso acontece
será por alguma magia
que possui a tua mantilha
Sei que teu coração tem dono
e não tenho ilusões
de alguma traição possas cometer
Mas resta-me a esperança
de alguma vez já não usares
a tua mantilha preta Espanhola
para que teus lábios
eu possa olhar
E um dia quem sabe
sentir quanto doces
eles são
Gosto de te ver
quando passas por mim
fernando ramos

sábado, 17 de novembro de 2012

43 - AMIZADE PERTURBANTE


Ela mais uma vez não está,
já todos sabiam
Mas volta, volta sempre,
dizem amigos de ocasião
que gostam dela,
e do seu jeito intimista
Ela não os desilude
quando está presente
Sua sensualidade é perturbante
de mais para seus dois amigos,
que angustiados olham
para tanta beleza de seu corpo,
cuja as formas os faz sonhar
Os dois a amam,
mas ela é como as aves,
sem poiso que seguem
por vezes seu caminho
para os mares do sul,
e só voltam quando o vento
muda de direcção
E de vez enquando,
o vento muda,
e seus amigos tem esperança,
mas ela depois volta sempre
para lá com as aves,
nunca fica
Tornando esta amizade
cada vez mais perturbadora

fernando ramos

terça-feira, 13 de novembro de 2012

42 - REVIVER O PASSADO


REVIVER O PASSADO
Recordar minha vida
É quase como voltar ao tempo 
Do preto e branco
Não que ela não tenha
Algumas cores
Mas também não a troco
Por outra, por muito
mais colorida possa ficar
E nem por mais um dia de ilusão
Só de me lembrar
De quando era menino,
E minha mãe me encostava
A seu peito, e eu baixinho
Dizia de como gostava dela
Dá uma grande saudade
Pedir para ela voltar
Impossível é, e eu sei que é 
Mas se o regresso acontecer
Para minha mãe aqui vou estar
Oferecendo-lhe flores de todas 
As cores, donde brotam infinitos
Odores de amor de suas pétalas
E eu, pedindo novamente 
O colo que perdi
Esperando que ela
Nos meus ouvidos, sussurrando 
Me dê conselhos de mãe
Que tanta falta me estão fazendo
Reviver o passado
Torna-se penoso
Porque o passado não volta
E minha mãe
Jamais aqui vai estar
Oxalá eu ande enganado
fernando ramos

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

41 - SAUDADE DE INVERNO


SAUDADE DE INVERNO
O inverno chegou
A chuva miudinha bate 
Na vidraça de minha janela
O vento assobia como se fosse
Por magia, anunciando
Os dias tristes
Que se aproximam
Este é sempre um sinal
De que o Inverno começou
Lembrando o passado
De anos próximos
Em que meus pais no início 
Da época das chuvas e do frio
Me aconchegavam, 
Junto da janela 
Onde eu repetidamente 
Olhava a chuva
Ouvindo o ruidoso vento
Que saudades eu tenho deles
E destes belos momentos
O bom Deus
Os chamou ainda cedo
Deixando-me só na casa
Onde todos os dias
À minha lareira
Junto da ombreira da porta 
Os recordo
E, ao ouvir o vento
Como neste Inverno
Me lembro da voz de minha mãe 
Gritando para não me aproximar 
Da velha porta da rua
Porque o vento, e a chuva
Daquela altura do ano
Poderia trazer-me doenças
Próprias de Inverno
Pai e mãe!
Deixaram-me só 
Com a preciosa recordação 
Dos nossos Invernos 
Mas o velho vento
E a chuva miudinha
Que sempre bate
Na nossa vidraça
Esses ficaram
Para outros Invernos
Como minhas lembranças futuras
Fernando ramos

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

40 - A VERDADE DE EXISTIR


É verdade que não existes
Enquanto houver quem não te veja
Porque se existir quem te veja
A verdade de existires
É verdadeira
Alguém me diz que te encontrou
E aí eu acreditei
Foi o meu anjo 
Portador da boa nova
Da verdade que sempre existes
Porque te escondes da verdade
Se dela não deves ter medo
Quem se esconde atrás da verdade
Não quer da verdade saber
Se é verdade que dela te escondes
Qual o motivo verdadeiro
É porque existes
Se não tiveres motivo
Deixa a verdade acontecer
de: fernando ramos

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

39 - FELICIDADE


Alguém sabe o que é a felicidade? 
Penso que a felicidade é amor 
Bem aventurados aqueles 
Que sabem o que é a felicidade e o amor 
Saber amar, é amar muito, é desejar, 
É ser desejado e ter alguém que também o ame 
Mas amar não é possuir, ou ser possuído 
Isso é sentir um desejo profundo de querer 
Amar é estar com quem se quer amar 
E saber que o outro sabe de nós
E que nos ama quando precisamos 
De ser amados
A amar é sentir a felicidade
E a felicidade é amor

de: fernando ramos

terça-feira, 6 de novembro de 2012

38 - A COLINA


Ao subir a longa colina
No meio, fui descansar
Estava tão exausto
Que por ali tive de ficar
Passado algum tempo
Ganhei forças para andar
Subi mais um pouco
Mas acabei por parar
Estava eu, a voltar andar
Quando para cima olhei
E ao ver o cimo da colina
Tão preocupado fiquei
Não é que a minha amiga colina
Muito cumprida, ela é
Ainda vou perder algumas horas
Para ao cimo, chegar a pé
E vou por ali acima de abalada
Que de forças já estou capaz
Ao estar próximo da chegada
Vi lá um grande cartaz
O tal cartaz dizia assim:
Vieste tu por aí fora
E como prémio te digo
Adeus, ó vai-te embora

Pensava que ir ao topo da colina
Era preciso persistência e arte
Afinal, não passou de tolice
Para não dizer um disparate
de: fernando ramos

domingo, 4 de novembro de 2012

37 - MINHA CORAGEM


MINHA CORAGEM

Tenha eu coragem
De viver um dia de cada vez
Na doce loucura De te amar
Deus faça com que eu nunca
Te esqueça, apesar da saudade
Me fazer perder a razão
Nas noites vazias
E que me deixe amar
Sem odiar tuas ofensas
Tenha eu sempre vontade
De procurar minha alma em ti
E que a solidão
Nunca me sirva
De má companhia
Para momentos de pecado
Meu Deus,
Tenha eu coragem para viver
Sem esta dor
E que este amor
Nunca fuja de ti

de: fernando ramos

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

36 - EU TE PROCUREI


No mundo perdido andei
E por vários mares naveguei
Procurei-te por todo lado
E às estrelas por ti perguntei
De lá, elas disseram
Que ao mundo tu vieste
Porque tinhas de me amar
E eu, passei longo tempo
Sem alguma vez te encontrar
Minha vida não tem mais sentido
Por todo lado andei
E até nas montanhas do norte
Eu te procurei
Onde andas meu amor?

De: fernando ramos

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

35 - TENHO PRESSA


TENHO PRESSA
Tenho pressa de partir
Para lugares bem longínquos
Por lá quero ficar 
E nova vida encontrar
Tenho pressa de partir
E desta solidão fugir
Encontrar novos caminhos
E a meu Deus poder servir
Tenho pressa de partir
Do destino que me persegue
Não ter como companheira 
A tristeza que me segue
Tenho pressa de partir,
Ó vento levai-me para norte
Para as terras do meu amor
Onde mora minha sorte
Tenho pressa de partir
Para num novo mundo viver
Lá começar tudo de novo
Mudar de vida, tem de ser
de: fernando ramos

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

34 - BORBOLETA DE MIL CORES


BORBOLETA DE MIL CORES
Borboleta que não paras de voar 
Pela roseira do meu jardim
Vais de ramo em ramo
Procurando
um bonito lugar ali
Voa, voa, linda borboleta
enche-me a alma de alegria
O teu voar é tão bonito
Quanto minha alma queria
Minhas rosas ficam lindas
Quando a elas chegares
Teu pousar tem mais graça
depois do lugar encontrares
borboleta de mil cores
Que caminho procurais 
Não gostas do meu roseiral
Ou são picos demais
Linda borboleta de tantas cores 
Já vais cansada de voares
Minhas rosas ficam tristes
Se à minha roseira não voltares
Ó borboleta minha
Mais de mil cores tinhas tu
Voavas pelas as minhas rosas
Como em mais jardim algum
Deus levou-te para outros voos
E a linda roseira deixas-te,
Tristes todos nós ficamos
Porque para outro jardim voaste
de: fernando ramos

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

33 - EXTREMISMO NÃO


O mal do ser humano 
É o seu extremismo absurdo
Que em algumas situações 
Leva à loucura total
Alguns são fanáticos
Outros radicais loucos
Que só espalham o mal
Por países cada vez
Mais miseráveis
À gente que mata por 
Ideologias estúpidas e sem nexo
Quem sofre é sempre o mesmo
Os mais desfavorecidos 
Deste mundo incompreendido
Deus no seu imenso coração
Nos perdoe a todos
E nos conceda outro mundo melhor
Porque este, está farto
Dos extremistas loucos 
Em que o valor humano
Não conta, a não ser
Para estatísticas
Que de nada servem
Para bem dos mais infelizes
E de muitos outros
Que mais se pode fazer
Para evitar as loucuras
De alguns fanáticos 
Que só se preocupam 
Em espalhar o terror 
Destruição e morte
Extremismo não
Grita-se por esse mundo fora 
Onde o povo está a sofrer
De uma guerra atroz
Que não termina 
Por interesses económicos
De gente sem coração
de: fernando ramos

domingo, 14 de outubro de 2012

32 - A ALMA NAS ESTRELAS


Se minha alma
Ás estrelas chegar
É porque viaja num tempo
Que não termina
E vai na procura
Da verdade jamais vivida
E se, outras almas
De várias cores 
A minha encontrar
Fico sabendo que a alma 
Não tem raça
Mas sim vida divina
de: Fernando Ramos

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

31 - POLÍTICOS


Ser político é preciso ter arte
E não o é, quem quer
Muitas promessas se fazem
Depois é o que Deus quiser
Os políticos falam, falam
O que o povo quer ouvir
Depois é que são elas
Com promessas por cumprir
As ofertas são tantas
Que não dá para perceber
Elas não se cumprem
Vá lá o povinho entender
Nas campanhas eleitorais
Não dês vivas de vitórias
Porque se tu não ganhas 
És um contador de histórias
Toma atenção ao que dizes
Porque pode ser perigoso
É que se não cumprires
Não passa de mentiroso
Meu político amigo
Não prometas, se não podes dar
As pessoas não te perdoam
E tua honra vão manchar
Se honesto e nada prometeis
E tem cuidado com o que dizes
Porque isto da política
Não é para aprendizes
de: Fernando Ramos

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

30 - ESTRELA


Teu sorriso vejo
na bela estrela
cintilante
E olhando para ela
teus lábios sinto
E boas recordações
me levam a longos
beijos trocados
entre suspiros
apaixonados
E, em teu corpo esculpido
prazeres mil senti
em noites de ternura intensa
E nele prisioneiro fiquei
E na estrela
teu sorriso eu vejo
e nesse brilho
teus lábios beijo
de: fernando ramos

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

29 - PEQUENOS NADAS


De pequenos nadas crescem
Ideias bem luminosas
De pequenos nadas nascem
Algumas descobertas perigosas
De outros nadas também
Alguns amores aparecem
E por outros pequenos nada
Alguns também desaparecem
De pequenos nadas tive
Paixões de rir e chorar
Com esses mesmos nadas
Outras mulheres fui encontrar
E venham mais alguns nadas
Para na nossa vida se encantar
Porque tantos nadas juntos
Um dia nos fazem casar
E aqui vão mais uns nadas
Para a festa continuar
É que vão por aí uns senhores
Que a nossa vida andam a estragar
Prometem tudo ao pobre povo
Até o poder alcançar
Depois de lá se instalarem
Pouco ou nada vão dar
E o povo protesta na rua
Por pequenos nadas que lhes dão
A vida está tão dura
Que já não se ganha para o pão
Aos Bombeiros, policias e a outros,
Pequenos nadas também lhes dão
Tem todos de reconhecer
Os bons profissionais que são
Vamos lá então virar isto
Com ajuda dos pequenos nadas
Porque esta vida é difícil
E o futuro não é de fadas
Com os nadas de agora
Estas brincadeiras escrevi
E vai ser dos mesmos nadas
Que vou ficando por aqui
de: fernando ramos

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

28 - LÁ NAS TERRAS DO SUDÃO


No Sudão, a guerra e a morte 
Andam de mãos dadas
O mundo assiste 
Como se nada fosse 
À miséria permissível 
E mantida por interesses
Dos senhores das armas
Que querem fazer 
Dos refugiados 
Criminosos de guerra
Mas onde não passam
De vítimas do terror
Lá, morre mais gente
Diariamente, que por metro
Quadrado de cereais ali plantados 
Mulheres, crianças e velhos
São sequestrados
Têm as mãos cheias de nada
E a morte como companheira
Que prematuramente por ali anda
Naquela terra a vida nada vale
E nós de mansinho a tudo
Assistimos como se nada fosse
Como se tudo, se passasse
Em casa do vizinho
Cuja porta da desgraça 
Humana se mantém fechada
Evitando assim 
Olhares indiscretos
Países ricos e poderosos
Negoceiam a venda de armas
Aos senhores da guerra do Sudão
Que fabricam a miséria e a morte
A um povo que só pede paz, pão
E um metro de chão 
Para enterrar seus mortos
Que não conseguiram
Sobreviver a este terror
Colectivo
Pobre mundo, para onde caminhas?
de: fernando ramos
27.6.2005


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

27 - AMIGOS DE INFÂNCIA


Alguns anos se passaram
E os meninos da minha infância
Se foram perdendo no tempo
Porquê? 
Pergunta estranha...
Cumplicidades, tínhamos 
Porque alguns de nós não 
Conseguiam ser miúdos
Crescendo demasiado cedo
Sofríamos algumas misérias da vida
A solidariedade não se afirma
Pratica-se constantemente
E isso pouco acontecia
Sei de alguns, que não os encontro
Talvez devido
A contingências diversas,
Que facilmente adivinharei
Meninos pobres, 
Éramos quase todos
Mas vivíamos felizes naquelas ruas
E esquinas, que eram como companheiras
Da inocência da nossa infância
Amigos dessa época
Se perderam nos anos
Onde estão eles?
Saudades eu tenho 
Dessas amizades
Mais, daqueles meninos
Que nunca o foram
Que, como eu em criança 
Sofrerem dos nadas 
Que a vida ofereceu
Amigos de infância, 
Pobres de nós
Nunca nos deixaram 
Ser meninos!
fernando ramos

26 - TANTA COISA PARA ESCREVER


TANTA COISA PARA ESCREVER
Tenho pressa de escrever
Muito tempo já perdi
Vou brincar com as palavras
Lembrando o que vai por aí
Posso escrever da natureza
E de alguma coisa minha
Até posso escrever, ainda
Da minha bela vizinha
Então escrevo desta
E das suas belas curvas
Bem formosinha ela é
Que me deixa as vistas turvas
De outras coisas escrevo mais 
Como de olhares ocultos
Mas agora de manhã eu escrevo
Dos nossos transportes públicos
Então, falemos deles,
Um taxi que vai a passar
Leva alguém por gentileza
Com muita pressa de chegar
No Metro de Lisboa
Apertados, todos vão
Aquilo até assusta
É uma grande confusão
Ou escrevo sobre passarinhos
Que na minha janela estão
Algum tempo esperam eles 
Que lhes dê algum pão
Da falta de trabalho
Também se pode escrever
São tantos no desemprego
Que muito têm a temer
Ou da fome que por aí vai
Em locais pouco afamados,
E muitos não querem falar
Nos países desgraçados
Outras coisas poderei escrever
Como da guerra e da paz
A escolha pouco interessa
Uma ou outra tanto faz
E porque não de refugiados
que pela pobre África, vão
Já viram a miséria
Lá para as terras do Sudão
Destas vidas que se perdem
Vou então delas escrever
Teremos de ser mais solidários
Para esta gente melhor viver
Ó ricos, de cofre cheio bem fundo
Os refugiados estão primeiro
É um povo muito carente
Que precisa desse dinheiro
Vê tu mundo para onde vais
É que assim estás acabar
Tantos problemas se passam
Que não parecem terminar
Como estão a perceber
Há tanta coisa para dizer
deixem de ser preguiçosos
Vamos lá todos escrever
de fernando ramos


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

25 - AS CARAVELAS ESTÃO A REGRESSAR


AS CARAVELAS ESTÃO A REGRESSAR
Avisto três Caravelas
Que ao Tejo vão aportar
Trazem pedras preciosas
E saudades para deixar
Desejos intensos nelas virão
Que os heróis trazem do mar
Seus amores por eles esperam
É só as Caravelas, acostar
Os nossos marinheiros
Bem aventurados sejam
Por feitos que Portugal merece
Em mares que um dia navegaram
E só a eles a pátria agradece
As Caravelas quinhentistas
Célebres, elas eram em tudo
Pelos
tesouros que traziam
Das suas voltas ao mundo

Em oceanos de águas profundas
Grandes tempestades passaram
Por mares muito agitados
Nossas Caravelas navegaram
Já perto vejo as Caravelas 
Que prestes estão a regressar
E ao leme os nosso marinheiros
Com muita pressa de chegar
As noivas, seus homens esperam
Que ao altar as vão levar
Porque eles lhes prometeram
Que no regresso iriam casar
Muito mais noivas esperam
Por seus marinheiros heróis
Outras vão continuar a esperar
Só três Caravelas vão atracar
Das seis que se fizeram ao mar
Estas noivas sedutoras
Outros heróis irão amar
Um dia, por outras Caravelas 
As donzelas irão aguardar

fernando ramos

terça-feira, 18 de setembro de 2012

24 - A PRAIA


A PRAIA
Hoje fui à praia
E fui só
Aquela praia que dizias
Ser só nossa, lembras-te?
Agora é só minha
Tu partiste e me deixaste
Dizes que tua alma e coração
Já é pertença de outro
Percebo isso, mas não esqueço
Que foi nessa praia
Por entre murmúrios
Que nos amámos perdidamente 
Pela primeira vez à beira mar 
Num verão escaldante
Tudo agora são recordações
Mas não deixo de pensar
Nas loucuras que passámos 
Bem juntinhos nesse areal
E com estas lembranças
Irei viver sempre 
Por isso hoje voltei à praia
e estava tão só
fernando ramos

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

23 - TENHO UM ANJO


TENHO UM ANJO
Eu, tenho um Anjo superior
Que é muito meu amigo
É ele que me protege
Enquanto sonho contigo
Sonhos bons terei sempre
Desde que o Anjo esteja comigo
Com ele, bem posso contar
Mesmo que vá perdido
É o Anjo da minha luz
Que faz minha alma brilhar
Leva-me por bons caminhos
Apesar de não ter nada para dar
Ó Anjo nunca me abandones
Até meu final chegar
Quando para o céu partir
Ao teu lado quero estar
E no Paraíso, ao entrar
Quero ter-te conselheiro amigo
Que Deus, sempre me proteja
E que tu estejas comigo
de: fernando ramos