terça-feira, 31 de julho de 2012

14 - RETORNO


RETORNO
Se houver um caminho de retorno
Eu voltarei para ti
Quando isso acontecerá
não sei
Nem que tenha de caminhar
por labirintos desconhecidos
Virei com o mesmo ardor de antes
Por isso espera por mim
meu amor
fernando ramos

domingo, 29 de julho de 2012

13 - EU E OS LIVROS


EU E OS LIVROS
Talvez não serei de tanta cultura 
E isso nunca me importou
Mas gosto de escrever 
Por isso há escrita me dou
Se calhar até tinha piada
Escrever um triste fado
E assim faço o que gosto
A mais não sou obrigado
Vejam lá os meus poemas 
E meus livros também
Se não gostarem, deitem fora 
Para mim, também está bem
Já escrevi alguns livros
Este não será o terceiro 
Vamos ver o que sai daqui
Se não for bom, não é primeiro
Isto para ser escritor 
Não é preciso ter massa 
Escrevam lá vocês 
E digam se não tem graça
Se calhar estarei enganado
Mas já estou como o outro
Vou escrevendo umas letras 
Deixem lá, não façam pouco
de: fernando ramos 

quarta-feira, 25 de julho de 2012


12 - VENTO DO NORTE
Se tivesse escutado o vento do norte
Agora meu amor estaria comigo
Trocando olhares maliciosos 
Que me enlouqueciam
E desfeito de prazer ficava em seu regaço
Ela partiu para as montanhas do gelo
E eu fiquei triste nesta solidão imensa
Por não o ter escutado o vento 
Hoje não tenho seu sorriso resplandecente
Que via pelas manhãs de outrora
Meu amor foi embora
E sua magia me persegue
Em pensamentos constantes 
Que me fustigam
Na lembrança de longos beijos ardentes
Ai se eu o tivesse escutado 
Talvez agora ainda seríamos
Amantes entrelaçados em nossos
Corpos
enlouquecidos 
Que apaixonadamente
Se perdiam no tempo
Ai se eu tivesse escutado 
O vento do norte
de: fernando ramos

sábado, 21 de julho de 2012

11 - FRASES DITAS SEM PENSAR


FRASES DITAS SEM PENSAR
Frases, são como finos cristais
Que deslizam na tua pele
Algumas são cruéis, outras fatais
Que nela sabem a fel
Frases ditas sem pensar
São como uma pomba perdida 
Frases que correm em teus lábios
São beijos dados de partida
Frases feitas com o coração
Essas sim, me fazem amar
Frases belas com paixão
São as que levam a perdoar
Outras frases poderás dizer
No teu peito não terão amargura 
Porque lá poderás esconder
Meu Sentimento de muita ternura
Frases ditas para quê
Quando estás junto de mim
Mais frases não digas meu amor
Porque já sofro tanto assim
fernando ramos

quinta-feira, 19 de julho de 2012

10 - AMOR PERDIDO


AMOR PERDIDO
Fosse eu, o teu amor perdido
Em meu lugar te falaria 
Mas por me teres esquecido
Não poderei pensar em ti
E
perdidamente me apetece 
Tentar dar-te o grito de revolta
E de espanto sentido
Seja eu esse poeta cantor 
Que te faça amar loucamente
E cantaria ao mundo meus poemas
Que para ti escrevi loucamente 
Nas longas noites de solidão
Assim, a minha paixão terá de viver
Num mundo de sonhos desfeitos
E os poemas soltos e sensuais
Ficarão na minha gaveta esquecidos
Na esperança de um dia a velha pena
Os voltar a rescrever
Olhando o brilho de teus olhos
Vejo meus sonhos poéticos 
Que os guardo naquelas tardes
De marés calmas, numa praia
De finíssima espuma verde e azul
E lá repousarei minhas fantasias
Que correm por cima de castelos
Feitos de barras de ouro maciço
Talvez serei um pescador de sonhos
Perdidos no mar, que em ofertas
Minha
poesia cantarei
P’ra teu corpo e alma sentirem 
O amor que se perde
No tempo, e na intimidade 
De dois seres de paixão intensa
E com isso prendendo-te
P’ra sempre em meus braços
Que te apertam desesperadamente
fernando ramos

terça-feira, 17 de julho de 2012

9 - UM PAÍS DE DEUS


9 - UM PAÍS DE DEUS
Nós somos um país de Deus
Onde muito de bom aconteceu
Tivemos a Revolução que venceu
Num Portugal que tanto padeceu
O povo vagueava protestando
Senhores diziam, ser o lado errado 
Até que num bom ano, Abril apareceu
E logo, logo tudo foi mudado
Este é um bonito país de Abril
Por cá não foi só a rosa que floresceu 
As gentes são felizes por anos mil
Na liberdade que o povo mereceu
Soltaram-se os presos do contra 
E muitos ficaram contentes
Os festejos davam belas montras 
E as orquestras estavam presentes
O povo sonhava na lua 
E eram muitos, muitos mil
Cantavam trovas na rua 
Em poemas só de Abril
Neste país do herói marinheiro 
Que já fez parte dos coitados
Homens e Mulheres em cativeiro 
À muito nele viviam angustiados
O Zé veio para a estrada
Com cantigas de glória
Foi a época doce e doirada 
E lá se mudou a triste história
Entrámos na Europa da frente
O povo foi cantando feliz
O tempo, esse foi passando
E quase tudo ficou por um triz

Todos vivíamos sorrindo contentes
E entramos na CEE do progresso
Alguns actos foram imprudentes 
Houve medo, e receio do retrocesso
Mas meu povo não temeis
Dizem políticos pelo seguro
Nós estamos na Europa
E lá, é que mora o futuro
É preciso continuar a lutar
Porque é difícil a vitória
Teremos sempre de lembrar 
Que Portugal é de luta e história
Só temos de ter paciência
Não fazendo tudo às pressas
Os países evoluem sua consciência 
Com gentes de poucas promessas
Temos sempre de acreditar
Que Portugal vai crescer
E os governos têm de apostar
Nos Portugueses para vencer
Portugal lá entrou no futuro
Porque é um país de feitos
Devemos dar, um confiar seguro
Aos nos nossos políticos eleitos

de: Fernando Ramos
fernando ramos

segunda-feira, 16 de julho de 2012


8 - A ARCA DA MINHA AVÓ
 Na arca da minha avó
Recordações velhas lá andarão

Talvez tristezas da vida
Coisas boas não sei se serão
Quando eu abrir a arca
Tudo sairá cá para fora
É que a arca já não se abre
Desde os tempos de outrora
A arca é muito bonita
Mas está suja de pó
Lá tem tanta magia
Já dizia a minha avó
A arca não é muito grande
E até, tem um senão
Tem de se ter muito cuidado
Quando eu abrir, com a mão
Já minha avó me dizia,
Para abrir a arca bem cedo
É que se levo muito tempo
um dia iria ter medo
Então lá abri a arca
Coisa de pasmar encontrei
Eram flores de papel de marca
Quantas lá estavam não sei
Olha lá, ó minha querida avó
Tanta curiosidade me causaste
Que faço das flores cheias de pó
Porque da arca não me desfaço
fernando ramos

domingo, 15 de julho de 2012


7 - OUTONOS
Já tudo dissemos na rua do tempo
E aqui continuamos nós lado a lado
Em todas as estações do ano
Até nas frias manhãs de Outono
Onde nossos lábios cansados 
Ainda trocam beijos roubados 
Como, se fossemos adolescentes
Meu amor, apesar dos anos
Que por nós vão passando
Ainda nos admiramos das palavras
Já há muito gastas
Aquelas onde suavemente dizemos 
Que ainda nos amamos
E ao olharmos o céu azul 
Aos fins de tarde
Trocamos sorrisos coniventes
Murmurando que estamos juntos
Como no princípio dos tempos 
Então passados
Tempos, que nos foram fortalecendo
Para outros Outonos da nossa vida
Que ainda chegarão
Juntos, caminharemos continuamente 
Vergados pelo cansaço
E também p’la felicidade 
De outros amanhãs 
Onde nos amaremos perdidamente
Dentro de lençóis que guardam
Nossos segredos nus de pudor
E trocaremos sílabas de promessas 
De outros Outonos vindouros
Que nos vão deixar para sempre 
Ligados até ao nosso final 
Ao final, que nós não queremos
Mas onde a vida de mansinho 
Irá deixar acontecer
fernando ramos

sábado, 14 de julho de 2012


6 - ADEUS POETA
Foi embora um poeta
Desta vida de mil poderes
Com ele imensa cultura foi
Para a terra dos saberes
Volta poeta, volta 
P’ra ouvirmos teus dizeres
Porque tudo que sabemos
De ti, nós aprendemos
Tudo aquilo que perdemos
Jamais iremos perceber
Mais pobres de arte ficamos 
Com a falta do teu conhecer
Porquê meu amigo poeta
Tão cedo te foste embora
Porquê essa pressa amigo
Naquele dia pela aurora
O povo chora baixinho 
Lágrimas caídas na dor
O poema se sente perdido 
Na ausência do seu criador
O poeta jamais volta 
De outro lugar de viver
A cultura seus ais solta 
Nos tempos de empobrecer
O poeta não volta, não
Para mal da árdua liberdade
Todos ficaram mais pobres
Mergulhados na saudade
fernando ramos

5 - POBRE DA VERDADE
 Pobrezinho eu serei
Com muita dignidade
A vida me ensinou
Falar sempre verdade
A verdade dói a todos
Talvez com muita razão
Mas carrega muito saber
A um pobre de tostão
Nesta vida pobre sou
Com altiva emoção
Em outra, alguém rico ficou
Mas pobre de solidão
Os anjos que este pobre tem
A ele dizem tanto respeito
São dos bons e mais de cem
Morando dentro de seu peito
Pobre e feliz fui aprender 
De algum saber e esperteza 
Que mais poderia querer
De tamanha gentileza
Pobre da verdade não estou
E p’ra mim é um céu formoso
De poucos bens, feliz eu sou
Em meu chão bem precioso

Fernando Ramos

terça-feira, 10 de julho de 2012


4 - PARTIDA
Hoje partiu um amigo
Um amigo de verdade
Com ele foi uma vida
E também sua bondade
Em outros dias passados
Alguém se lembrou de ti,
E dos momentos de pecados
Que vivemos por aí
Adeus amigo que fugiste
Prós campos da eternidade
Deus quer que partamos
No espírito de humildade
Ó sinos do meu país,
Ó poetas da minha cidade
Tocai Trovas a Deus
Em poemas de saudade
fernando ramos

domingo, 8 de julho de 2012


3 - PARA UM GUERREIRO

Não choro pelo guerreiro 
Que é meu herói 
Mas p’la sua ausência 
Porque é aí, que mais dói

O povo do meu país
Saudades dele, muitas tem
Porque sabe que o guerreiro
Do lado de lá, não vem

Ó lutas então travadas
O meu herói já não vem
O guerreiro jamais volta
Dos lados do além

Outrora ele voltou
Das masmorras do inferno
Trazia a esperança ao povo
Dum futuro bom e sério

Com ele veio a vitória
Duma guerra longa e escura
E de lá veio a esperança
Que ainda hoje perdura

Ninguém acreditou,
No meu herói guerreiro
Porque nos anos que passou
Tantos perderam no terreiro

fernando ramos



sexta-feira, 6 de julho de 2012


 2 - ESPERANÇA NO CORONEL
Foste um trovão de Abril
E quando o silencio,
E a tristeza teimava ficar
A tua alegria nos apareceu
Com honra e generosidade 
P’ra quem não tinha esperança
Obrigada p’la tua bondade
O povo, o teu povo
Jamais esquecerá teu heroísmo 
Neste inverno que se aproxima
Contigo um dia a esperança chegou
E com ela, a força da tua razão
E a Liberdade dum povo renasceu
E agora que partiste 
Nos deixas a lágrima que cai
P’lo militar que nos fez sorrir em Abril
Porque
a saudade se aproxima
E com ela, novamente a solidão
(fernando ramos
12.06.2005)
(meu poema a Salgueiro Maia)
1 - POMBA PERDIDA 


Nas asas da pura pomba 
Vai todo o meu amor 
Nelas voa minha vida 
E também meu pavor

Não sei o que pensar 
Se a Ave não chegar 
Será que vou morrer 
Por causa de a perder 


Ó pomba vem depressa 
E cura-me esta ferida 
Sem ti não irei viver 
Nesta selva perdida 


E, se ela não voltar 
Eu sei que vou sofrer 
Meu coração vai sangrar 
Por meu amor perder 
 Volta pomba por favor 


Tu tens a minha razão 
Sem ti perco o fulgor 
 E morro na triste solidão 


Fernando Ramos
5.06.2005 


(este foi o meu primeiro poema)