quinta-feira, 27 de setembro de 2012

28 - LÁ NAS TERRAS DO SUDÃO


No Sudão, a guerra e a morte 
Andam de mãos dadas
O mundo assiste 
Como se nada fosse 
À miséria permissível 
E mantida por interesses
Dos senhores das armas
Que querem fazer 
Dos refugiados 
Criminosos de guerra
Mas onde não passam
De vítimas do terror
Lá, morre mais gente
Diariamente, que por metro
Quadrado de cereais ali plantados 
Mulheres, crianças e velhos
São sequestrados
Têm as mãos cheias de nada
E a morte como companheira
Que prematuramente por ali anda
Naquela terra a vida nada vale
E nós de mansinho a tudo
Assistimos como se nada fosse
Como se tudo, se passasse
Em casa do vizinho
Cuja porta da desgraça 
Humana se mantém fechada
Evitando assim 
Olhares indiscretos
Países ricos e poderosos
Negoceiam a venda de armas
Aos senhores da guerra do Sudão
Que fabricam a miséria e a morte
A um povo que só pede paz, pão
E um metro de chão 
Para enterrar seus mortos
Que não conseguiram
Sobreviver a este terror
Colectivo
Pobre mundo, para onde caminhas?
de: fernando ramos
27.6.2005


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

27 - AMIGOS DE INFÂNCIA


Alguns anos se passaram
E os meninos da minha infância
Se foram perdendo no tempo
Porquê? 
Pergunta estranha...
Cumplicidades, tínhamos 
Porque alguns de nós não 
Conseguiam ser miúdos
Crescendo demasiado cedo
Sofríamos algumas misérias da vida
A solidariedade não se afirma
Pratica-se constantemente
E isso pouco acontecia
Sei de alguns, que não os encontro
Talvez devido
A contingências diversas,
Que facilmente adivinharei
Meninos pobres, 
Éramos quase todos
Mas vivíamos felizes naquelas ruas
E esquinas, que eram como companheiras
Da inocência da nossa infância
Amigos dessa época
Se perderam nos anos
Onde estão eles?
Saudades eu tenho 
Dessas amizades
Mais, daqueles meninos
Que nunca o foram
Que, como eu em criança 
Sofrerem dos nadas 
Que a vida ofereceu
Amigos de infância, 
Pobres de nós
Nunca nos deixaram 
Ser meninos!
fernando ramos

26 - TANTA COISA PARA ESCREVER


TANTA COISA PARA ESCREVER
Tenho pressa de escrever
Muito tempo já perdi
Vou brincar com as palavras
Lembrando o que vai por aí
Posso escrever da natureza
E de alguma coisa minha
Até posso escrever, ainda
Da minha bela vizinha
Então escrevo desta
E das suas belas curvas
Bem formosinha ela é
Que me deixa as vistas turvas
De outras coisas escrevo mais 
Como de olhares ocultos
Mas agora de manhã eu escrevo
Dos nossos transportes públicos
Então, falemos deles,
Um taxi que vai a passar
Leva alguém por gentileza
Com muita pressa de chegar
No Metro de Lisboa
Apertados, todos vão
Aquilo até assusta
É uma grande confusão
Ou escrevo sobre passarinhos
Que na minha janela estão
Algum tempo esperam eles 
Que lhes dê algum pão
Da falta de trabalho
Também se pode escrever
São tantos no desemprego
Que muito têm a temer
Ou da fome que por aí vai
Em locais pouco afamados,
E muitos não querem falar
Nos países desgraçados
Outras coisas poderei escrever
Como da guerra e da paz
A escolha pouco interessa
Uma ou outra tanto faz
E porque não de refugiados
que pela pobre África, vão
Já viram a miséria
Lá para as terras do Sudão
Destas vidas que se perdem
Vou então delas escrever
Teremos de ser mais solidários
Para esta gente melhor viver
Ó ricos, de cofre cheio bem fundo
Os refugiados estão primeiro
É um povo muito carente
Que precisa desse dinheiro
Vê tu mundo para onde vais
É que assim estás acabar
Tantos problemas se passam
Que não parecem terminar
Como estão a perceber
Há tanta coisa para dizer
deixem de ser preguiçosos
Vamos lá todos escrever
de fernando ramos


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

25 - AS CARAVELAS ESTÃO A REGRESSAR


AS CARAVELAS ESTÃO A REGRESSAR
Avisto três Caravelas
Que ao Tejo vão aportar
Trazem pedras preciosas
E saudades para deixar
Desejos intensos nelas virão
Que os heróis trazem do mar
Seus amores por eles esperam
É só as Caravelas, acostar
Os nossos marinheiros
Bem aventurados sejam
Por feitos que Portugal merece
Em mares que um dia navegaram
E só a eles a pátria agradece
As Caravelas quinhentistas
Célebres, elas eram em tudo
Pelos
tesouros que traziam
Das suas voltas ao mundo

Em oceanos de águas profundas
Grandes tempestades passaram
Por mares muito agitados
Nossas Caravelas navegaram
Já perto vejo as Caravelas 
Que prestes estão a regressar
E ao leme os nosso marinheiros
Com muita pressa de chegar
As noivas, seus homens esperam
Que ao altar as vão levar
Porque eles lhes prometeram
Que no regresso iriam casar
Muito mais noivas esperam
Por seus marinheiros heróis
Outras vão continuar a esperar
Só três Caravelas vão atracar
Das seis que se fizeram ao mar
Estas noivas sedutoras
Outros heróis irão amar
Um dia, por outras Caravelas 
As donzelas irão aguardar

fernando ramos

terça-feira, 18 de setembro de 2012

24 - A PRAIA


A PRAIA
Hoje fui à praia
E fui só
Aquela praia que dizias
Ser só nossa, lembras-te?
Agora é só minha
Tu partiste e me deixaste
Dizes que tua alma e coração
Já é pertença de outro
Percebo isso, mas não esqueço
Que foi nessa praia
Por entre murmúrios
Que nos amámos perdidamente 
Pela primeira vez à beira mar 
Num verão escaldante
Tudo agora são recordações
Mas não deixo de pensar
Nas loucuras que passámos 
Bem juntinhos nesse areal
E com estas lembranças
Irei viver sempre 
Por isso hoje voltei à praia
e estava tão só
fernando ramos

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

23 - TENHO UM ANJO


TENHO UM ANJO
Eu, tenho um Anjo superior
Que é muito meu amigo
É ele que me protege
Enquanto sonho contigo
Sonhos bons terei sempre
Desde que o Anjo esteja comigo
Com ele, bem posso contar
Mesmo que vá perdido
É o Anjo da minha luz
Que faz minha alma brilhar
Leva-me por bons caminhos
Apesar de não ter nada para dar
Ó Anjo nunca me abandones
Até meu final chegar
Quando para o céu partir
Ao teu lado quero estar
E no Paraíso, ao entrar
Quero ter-te conselheiro amigo
Que Deus, sempre me proteja
E que tu estejas comigo
de: fernando ramos

domingo, 16 de setembro de 2012

22 - MINHA VARANDA DA CAPARICA


MINHA VARANDA DA CAPARICA
Da varanda de minha casa
Alcanço a falésia da Caparica
Da varanda até lá
Outras casas não se fabrica

Naquele espaço de terreno
Há diverso gado a pastar
É coisa rara perto de Lisboa
Que é um regalo para o olhar
Na varanda à noitinha
De lá também vejo o mar
Apanho a brisa marítima
Em belas noites de luar
Na Costa de Caparica,
Na varanda quero estar
Apreciando a falésia e o mar
Que mais, Deus me pode dar
E lá estar, eu já sei
Que a tranquilidade é ouro
E muito próximo da cidade
Aquela paz é um tesouro
Mas que bela varanda tenho
Para os lados da Costa
Falésia, mar e sol 
Deste lugar, quem não gosta
Nesta bonita terra
Há pessoas boas e más
Os bons são muito mais
Que nos ofertam bela paz
Digam lá se não gostavam
de ter um horizonte assim
Deus deu-me esta varanda
Todinha só para mim
de: fernando ramos

sábado, 15 de setembro de 2012

21 - FAZ FAVOR


Dizer faz favor
É uma regra de boa educação
Se todos fossem educados
Seria uma boa razão
A Cidade do faz favor
Deve ser uma coisa boa
E esta deveria de ser
A nossa linda Lisboa
Vamos lá todos dizer
Agora e sempre em rigor
Nesta
terra de educados
Se deve dizer, faz favor
E os amigos dizem assim:
Faz favor para aqui
Faz favor para ali
E faz favor também para ti
E a família também diz
Faz favor à mãe
Faz favor à filha
Faz favor ao pai também
de: fernando ramos

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

20 - AMO


AMO
Amo as nossas noites de amor
Amo teu corpo entrelaçado em mim
Amo teus olhos verdes
Amo teu cabelo ao vento
Amo ver os morangos nos teus lábios
Amo teu corpo nu e sensual
Amo morder teus lábios
Amo quando te vejo na primavera
Amo quando me olhas apaixonadamente
Amo beijar-te com intensidade
Amo sentir que estás comigo
Amo ...
Amo ...
Amo ...
fernando ramos

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

19 - MEU CAMINHO


MEU CAMINHO
Sei que existo,
E vou por aí caminhando
Olhando a natureza de Deus
Sei que um dia vou morrer
E meu espirito vai continuar
Procurando a perfeição
Outras vidas haverá?
Não sei,
A dúvida me persegue
Na esperança de um dia voltar
Para outras certezas saber

de: fernando ramos

domingo, 2 de setembro de 2012

18 - MINHA LISBOA ENCANTADA


Mais de mil artistas pintaram 
Minha Lisboa de encantar
Poetas, tanto dela registaram 
Em poesia de dor, e amar
Desta nobre e linda cidade
Muito já se escreveu
Sente amor e saudade
Quem no seu meio viveu
Linda terra de marinheiros
Que partiram aos descobrimentos
Levando a cidade e seus cheiros
Nos convés de sentimentos
Caravelas ao Tejo chegavam
Da viagem muita custosa 
Traziam heróis que amavam
Sua Lisboa maravilhosa
De Alfama à Mouraria
A cidade famosa ficou
Vai ao Bairro Alto com Alegria
O turista que p’la Madragoa passou
Avenidas, ruas, e vielas
Largos, e pátios se construíram
Mais chafarizes, lagos e jardins
Na minha Lisboa floriram
Ainda mais, que por magia
Deus, deu-nos um sol brilhante
Nesta Lisboa lindíssima
Temos artistas e um Infante
Digam lá se não gostavam
De viver nesta terra boa.
Nós amamos nossa cidade
A encantada querida Lisboa

de fernando ramos