sexta-feira, 7 de junho de 2013

298 - UM ZÉ NINGUEM

UM ZÉ NINGUÉM
Dizem que sou um Zé ninguém,
e, é capaz de ser verdade
E até vou mais além,
Sou ninguém, e não deixo saudade
Mas que grande falta de estima,
Para um ser como eu
Se há alguém que se subestima,
Não é problema meu
Sou Zé ninguém para alguns,
Para outros não é bem assim
Ainda há mais, que são mais uns,
Que até gostam de mim
Zé ninguém, não é ninguém,
Porque todos alguma coisa são
É que há tantas, que são mãe,
De muitos Zés que para ai vão
Portanto meu amigo,
Zé ninguém não existirá
Porque todos, e até comigo
Somos alguém que anda por cá
de: fernando ramos

297 - UM SOPRO DE ILUSÃO

UM SOPRO DE ILUSÃO
Um sopro de ilusão
Sinto eu ouvindo tua guitarra
cujo as notas me sufocam
de angustia, por levemente
teus dedos passarem nas cordas
do meu sentimento
Um sopro de ilusão
Faz minha alma voar a caminho
das suaves portas da noite
de um mundo novo, onde a ventania
do deserto leva um sonho de saudade
de uma lágrima caída
que se perdeu num tempo
Um sopro de ilusão
Me fez declamar um poema sentido
que tantas, e tantas vezes
murmurei nas nossas noites
de vai e vem que desatava fantasias
no sossego da paixão que nos confortava
Um sopro de ilusão
Faz-me dizer poesia
que p´ra ti escrevi na minha prisão
de secretos desejos contínuos
que se perdem ao nascer
da nova aurora que nos traz
o calor que se advinha
Um sopro de ilusão
É como o universo pejado
de pensamentos de paixão
que dançam dentro dum coração
e dos olhares trocados de namorados
cujo amor continua num tempo
nunca terminado
de: fernando ramos

296 - GOSTAR DO FADO

GOSTAR DO FADO
O fado eu não amava
Agora por ele me apaixonei
De outras cantigas gostava
Mas vai ser nele que morrerei
O fado é a magia da vida
E uma bela forma de estar
Nunca será uma quimera sofrida
Mas uma obra de se amar
O que o fado tanto nos diz
Faz-nos bem, e até pensar
Eu por ele nada fiz
Mas vou a tempo de começar
Então, faço poemas
Com algumas quadras de rigor
Poderão ser frases pequenas
Mas feitas com amor
Pró fado escrevo de paixão
Poesia de alegria e lamento
Que vai saindo do coração
Carregadinha de sentimento
Se é poesia, bonita ou feia
Prós outros eu nem sei
Mas p´ra mim é boa ideia
escrever o fado para alguém
de: fernando ramos

295 - VIVA O TEATRO E A REVISTA

VIVA O TEATRO E A REVISTA
Há para aí uns engraçadinhos
Que connosco andam a brincar
Pensam que somos coitadinhos
E de nós, há muito que andam abusar

Então dizem que a revista acabou
Agora, e já o diziam antes
Nessa, o povo nunca acreditou
Para desgosto dos governantes

Viva o teatro, e a revista Nacional
grita todo Zé povinho,
Senhores ministros de Portugal,
Com os artistas, tenham mais cuidadinho

E se a revista mal tratarem,
Com eles se estão a meter
Aos artistas vão lhes ter de pagarem
O mal que lhes podem fazer

É que a eles tanto prometeram
E continuam com as mãos cheias de nada
De todos os governos pouco receberam,
Estando eles agora, há espera de uma boa fada

Ó senhores do poder oculto
Deixem o que o povo mais gosta, em paz
É que, a revista para eles é um fruto,
Que ainda consomem, e muito os satisfaz

A cultura é a educação do povo
São palavra que as leva o vento
Promessas destas não é nada novo
Sabemos nós, há muito tempo

Os poderes deste país
Da cultura devem ter medo
Porque, o que para aí se diz
Para ela, o dinheiro nunca chega cedo

Para o teatro, e a revista
Dinheirinho nunca há
É tão difícil ser artista,
Em todo lado, mas mais cá

Se alguém com a revista quer acabar
Que tenha mas é muito cuidadinho
Dela nunca se irão safar
Por ela vamos é a ter, mais respeitinho

Não acabem com esta cultura
Senão com o povo andam a gozar
Por isso, senhores está na altura
De a deixarem no seu devido lugar

Somos um país pequenino
Mas com artistas de muita gana
O teatro e a revista é um menino
Que tantos, a ele muito ama

Portanto, tenham algum cuidado
E vejam bem o que andam a fazer
Porque o povo já está a ficar zangado
E com ele, se vão ter que ver

de: fernando ramos
9.10.2005

294 - CORRUPTO

CORRUPTO
O corrupto anda de mansinho
Na sua negociata privada
Vai enganando devagarinho
Sem nós dar-mos por nada
Ele vai enriquecendo
Com seus bolsos sem fim
Os mesmos vai enchendo
Metendo lá o nosso pilim
Vai pilhando à vontade
E na Câmara ele é rei
E também o é, na Sociedade,
Sempre para desgosto de alguém
É o senhor todo poderoso
Mas alguns acham que não
A ele lhe dá grande gozo
Comprando muitos com o tostão
Todos os dias aparece na televisão
Como o mais sério do mundo
Querendo ditar sua razão
Discutindo com todos a fundo
E nós povo, não passamos
De uns pobres coitados
Que nestas figuras acreditamos
Para mal dos nossos pecados
E lá vai o corrupto maravilhado
Pelas trapaças cometidas
Num pais pobre por ele enxovalhado
Por causa das suas ambições desmedidas
Acorda Portugal inteiro
Mete os corruptos na prisão
Se não, eles nos destoem primeiro
Roubando o nosso pão

de: fernando ramos

293 - ADEUS À MORTE

ADEUS À MORTE
Ao dizer adeus à morte
Foi o começo de um novo dia
Será que foi por mera sorte
Ou antes por cobardia

Morrer não é muito importante
E também não é um medo fingido
Foi por ter vida estonteante
Que me levou da morte ter fugido

P´la vida tenho um sentimento arraigado
Que descubro em ilimitada sofreguidão
Com a morte seria um fim muito chorado
Que não me daria grande ilusão

Assim, serei adepto da boa vida
Por isso, adeus morte para sempre
Traz-me uma alegria sentida
P´ra viver eternamente

de: fernando ramos
16.10.2005

292 - MEU DESASSOSSEGO

MEU DESASSOSSEGO
Minha vida agora é um desassossego
De permanentes contrastes
Porque isso acontece, não percebo
Se tu sempre bem me tratastes
Já não consigo compreender
essas tuas atitudes subtis
Mesmo que me venhas oferecer
Belos vestidos de Organdis
Não vale a pena teres ciúmes
Nem fazeres diagnósticos precipitados
Não venhas mais com queixumes
Porque sou tua desde que nos deitámos
Foi um momento de grande magia
E também p´ra mim, de muito medo
O que desejo é que seja sempre de alegria
Por isso agora, o meu desassossego
de: fernando ramos

291 - A PROCISSÃO DA MINHA CIDADE

A PROCISSÃO DA MINHA CIDADE
Vai Cristo no andor
Na procissão da minha cidade
O povo o eleva com amor
Suplicando por piedade
"Ó Cristo, nosso Senhor
Perdoa-nos desta vida desgraçada"
Pede o povo com fervor
No cortejo da calçada
E Cristo dá seu olhar piedoso
As gentes que reza sua amargura
Vão acenando ao seu Santo bondoso
Que leva vestimenta cor púrpura
O povo é fiel à procissão
Que todos os anos se faz na cidade
Isso lhes dá força e razão
De amar Cristo na sua bondade
E lá vai ela no seu lento andamento
Nesta cidade de ruas estreitas
O povo chora de arrependimento
E pede cura p´ra suas maleitas
Cantando pró céu a ladainha
Enquanto Cristo vai a passar
Na cidade a procissão é rainha
E muitos, o andor querem levar
E o povo, nas suas janelas deita flores
À procissão que vai muito devagar
Alguns suplicam que lhe tire as dores
Do sofrimento que lhes está amargurar
E o senhor padre cura
Vai na frente do andor
Benze o povo com água pura
Para que Cristo lhes tire a dor
E as gentes no seu piedoso furor
Suplicam a Cristo o seu perdão
Num arrependimento sem pudor
P´ra que ele lhes mostre sua razão
Ó meu Cristo redentor
Dá-nos saúde e liberdade
Tu és o nosso Salvador
Desta vida de pouca saudade

de: Fernando ramos
18.10.2005

quinta-feira, 6 de junho de 2013

290 - AMALIA MARÉ DE AMOR

AMALIA, MARÉ DE AMOR
Certo dia, do século passado
Uma fadista nasceu
De Amália, o nome lhe foi dado
E pró fado apareceu
E como o cantava bem
Que até o rouxinol se calava
Ouvindo-a, ele ficava bem
Que seu cantar, a ela dedicava
A voz de Amália meiga e açucarada
Era como uma onda de mar chão
Que vai branda na crista salgada
A caminho de nosso coração
Amália, de nossos encantos
Aos Santos ela rezava
Com fados de alguns prantos
Tocados p’la velha guitarra
Tu serás sempre do povo
Como sua eterna namorada
Um fado teu, sabe a pouco
À nossa vida desassossegada
Em Lisboa, ela é afamada
Assim como em todo o lado
Sua voz por tantos é lembrada
P’la magia que dava ao fado
Cantava um fado bonitinho
Tocado por uma bela guitarrada
Ela, o declamava baixinho
Era poesia por muitos amada
E quando sua voz subia em esplendor
Uma brisa suave, no Tejo aparecia
Vinda de uma maré de amor
Dum povo que ela merecia

de: Fernando ramos
17.10.2005

289 - SER POETA É

SER POETA É
Ser poeta
É ser inventor
De frases que saem
Ao correr da pena
Elas se vão perdendo
No papel branco
Em subtis traços
Que vão formando letras
Descrevendo poemas
De impaciente ilusão

Ser poeta
É ser contador
De factos que a nossa
Imaginação em apuro
Desejo
embriagante
Vai passando p´ra outros
Que os querem ler
Ouvir, e sentir
Em constantes sentimentos
Arraigados num tempo

Ser poeta
É ser um eterno
Apaixonado ou não, que
Por vezes sofre de emoções
Errantes, que nem sempre
Se fixa numa vida a dois
Que o faz ter um vazio
Que se prolongará
Por toda a existência
De sua nobre poesia

Ser poeta
É saber ser feliz
Por poder contar com a alma
Na inspiração do momento
Ser poeta
É ser livre
Saber amar a natureza
Ter o amor, sempre o amor
Gravado na mente que regista
Na inspiração o sentimento
da poesia
de: Fernando ramos

288 - BEIJO QUE APETECE

BEIJO QUE APETECE
Quando o beijo apetece
Tua boca me endoidece
E se for p´la manhã, na frescura
Ele bem me pode levar à loucura
Se o deres com muitos amores
Teus lábios me deixam bons sabores
E se não o deres, por um senão
Tua boca não tem perdão
Porque espero um beijo escaldante
Nestes meus lábios de amante
Minha virtude ficará ferida
Por causa de tua boca perdida
Teus beijos são minha razão
E por eles chora meu coração
Que viverá perdido em sofrimento
Por
isso este meu lamento
Chora coração, choram lábios
Por esses beijos doces e sábios
Uma angustia sempre aparece
P´la falta de teus lábios, que apetece
de: fernando ramos

287 - AMOR FINAL

AMOR FINAL
Esta noite choveu estrelas por instantes
Num céu azul de amores infinitos
Nas nuvens vinham gemidos estonteantes
Em murmúrios por nós ditos
Eles em em nossa alma sambam
Por sentimentos belos e cativantes
Tidos em nossos seres que se amam
Nas noites das estrelas brilhantes

E nossos corpos nessas noites se deitam
Num leito de alguma quentura
Perdidos apaixonadamente se amam
Rodeados de odores e muita doçura

Levando-nos loucamente num frenesim
Gozado num vaivém sem parar
E cobertos por lençóis de fino cetim
Nós ao amor final, vamos chegar

De: fernando ramos
15.10.2005

286 - PORQUE CANTO

PORQUE CANTO
Não canto por obrigação,
Nem por desgostos da vida
Ou até, por saudades de amor
De alguma paixão que me é querida
Por isso eu só canto
Porque canto
O cantar me eleva ao céu
E às nuvens do amor
Ele me faz apenas vibrar
Quando sinto algum furor
E por isso quero bem cantar
Porque canto
A vida é um poema,
Que me faz cantar
Escrito por sentimentos
Que me fazem alegrar
Pelo muito que canto
Porque canto
Meus sonhos se perdem no canto
Mas não, no meu coração
Eles apenas me fazem lembrar
Que lá fora tenho uma paixão
E que a mim me faz cantar
Porque canto
Eu canto à natureza,
Que me traz a felicidade no amor
Ela me faz chorar e gostar
Da vida que não tem cor
Neste meu doce cantar
Porque canto
de: fernando ramos

quarta-feira, 5 de junho de 2013

285 - SENTES

SENTES
Sentes minhas mãos
em tua pele, que te abraça
Sentes meu olhar
que te diz quem sou
Sentes minha voz que múrmura
sem pudor
suplicando por um gesto teu
Sentes nossos beijos
levados pela brisa
que nos aconchega na noite
de nossos olhares
Sentes meu prazer
que em ti penetra,
e te ama perdidamente
Sentes meu amor
que este é o nosso momento
de paixão inebriante
em nossos sentidos
Sente e ama-me meu amor
ama-me sempre, sempre
e perdidamente

de: fernando ramos
15.10.2005

284 - Ó POVO DO MEU PAÍS

Ó POVO DO MEU PAÍS
Ó povo do meu país,
Que ao fado dás tanta ternura
Nas tabernas, dele se diz
Que é a vida da nossa cultura
Fadistas cantam com emoção,
Poemas de grande valor
Alguns, por eles chorarão
Lágrimas que não trazem dor
Há fadistas muito bons
E eu não digo quem são
Cantam o fado em bons tons
Com letras escritas do coração
Ó povo do meu país
Que amas o fado desde o Marquês
Ouve bem o que ele diz
Porque é sábio e cortês

de: fernando ramos

283 - MÃOZINHAS DE VELUDO

MÃOZINHAS DE VELUDO
Sarapico, mãozinhas de veludo
trabalhava prós lados do Marquês
Roubava carteiras, e era tão sortudo
Que às vezes, chegavam às três
Mãozinhas tinha dias p´ra roubar
E o Sábado era o pior
O Domingo era p´ra descansar
P´ra trabalhar os outros são melhor
Era no Metro que ele roubava
A carteira que levava sumiço
Sarapico mãozinhas, a tirava
Sem que alguém desse por isso
Lá entrou ele no metro
P´ra uma carteira surripiar
A um passageiro que ia firme e recto
À espera de sua estação chegar
E o comboio naquela estação parou
E foi grande confusão à saída
Sarapico mais uma carteira roubou
A um passageiro de corrida
Para azar do mãozinhas
O tal passageiro deu por isso
Armou ali umas confusõeszinhas
Que deu num grande reboliço
Lá foi chamada a Policia
E o mãozinhas de veludo foi preso
Levado com muito pouca malícia
Por um guarda afoito e teso
P´ra este larápio é uma má ideia
Os outros andar a roubar
É que às vezes vai para a cadeia
E o melhor é ele ir trabalhar
De: fernando ramos

282 - A PAIXÃO NOS MESES

A PAIXÃO NOS MESES
Numa manhã de Janeiro
Nós olhávamos o horizonte
Vendo a chuva cair no sobreiro
Lá longe no cimo do nosso monte
Ali no monte, nos amámos em Fevereiro
Numa
paixão louca e imensa
Mas, já tínhamos pensado primeiro
Se isso nos trazia uma dor intensa
Mas nós achamos que não
E em Março já estávamos casados
Tantos nos perguntaram, então
Quanto tempo estivemos enamorados
Dissemos que aconteceu no ano passado
Precisamente no mês de Abril
Numa tarde uma orquídea te tinha dado
Depois de olhares, que foram mais de mil
Assim nasceu uma linda relação
E em Maio dei-te uma rosa
Que a guardaste no teu coração
Porque ela era nossa, só nossa
Em Junho me apresentaste a teu pai
E também à tua mãe Manuela
Que com ele à pesca vai
Lá prós lados da ilha Canela
Foi em Julho que de férias fomos à praia
No Algarve, prós lados da Oura
Lá conhecemos a Joana e o marido Maia
Que moram em Vila Moura
Voltámos lá, no mês de Agosto
E fizemos um belo jantar
E foi aí que te recordei com muito gosto
Que para sempre, te ia amar
No Mês de Setembro ao entardecer
Que o recordo com muita emoção
Disse-te que havia um casamento a fazer
Porque o amor estava em ascensão
E em Outubro, disseste aos teus pais
Eles ficaram contentes e cheios de ais
Pois querem tudo, e algo mais
P´ra sua filha de encantos fatais
Esses dias para nós foram muito felizes
E em Novembro marcámos o casamento
E queríamos pelo menos dois petizes
Mas ainda não era o momento
E em Dezembro, o nosso amor era tanto
Que ao sexo resistias entre beijos meus
Combinámos que não seria por enquanto
Pois tínhamos de ir ao monte, rezar a Deus

De: fernando ramos

281 - OS CORRUPTOS FORAM ELEITOS

OS CORRUPTOS FORAM ELEITOS
Há por aí uns Autarcas
Que foram a eleições
Alguns fizeram boas marcas
Porque ganharam nas votações
Entre os eleitos houve de tudo
De corruptos a gente séria
Deve ser um dos casos do mundo
Que permitem esta miséria
Os corruptos lá venceram
Sem nenhuma vergonha na cara
Foi no povo que se perderam
A boa oportunidade rara
De correr com esta gente
Que há política são nefastos
O que será que irá na mente
Dos sérios deixados de rastos
Ó povo o que andas a fazer
Que votas em quem te anda a roubar
Claro que te vão dizer
Que neles podes sempre confiar
Pobre povo do meu país
Que se deixa enganar desta maneira
Porque não ouvem o que se lhe diz
Que votar nestes, é grande asneira
Lá vão eles andar felizes da vida
Meter no bolso até fartar
Teve o povo, a oportunidade perdida
P´ra mais tarde não se queixar

de: fernando ramos
13.10.2005 

280 - O ZÉ SAPATEIRO

O ZÉ SAPATEIRO
O zé sapateiro
É um homem das Arábias
Bate as solas por dinheiro
P´ra percorrerem as calçadas
Ele é homem de muita fé
E trabalha com amor
Faz muita chinela pró pé
Que às senhoras, não dão dor
Malicioso também é,
Para as senhoras do mercado
Vai-lhes apalpando o pé,
Dizendo que o sapato é apertado
É amigo, do seu amigo
E com eles bebe uns copos
Trata bem o seu vizinho
Dando-lhe muito bons modos
Lá no bairro gostam dele
E do seu modo brincalhão
E se à noite se querem vê-lo
Vão ao bar do salão
Zé sapateiro, já foi emigrante
E até trabalhou no Cairo
Agora ele é o garante
dos sapatos lá do bairro
de: fernando ramos

279 - 5 OUTUBRO

5 OUTUBRO
Foi naquele dia de Outubro
Onde tudo aconteceu
A Monarquia sofreu o golpe profundo
Dado por gente que nunca esmoreceu
Rufaram os tambores da liberdade
Porque a República nasceu
P´ra um pais sem liberdade
A revolução venceu
Veio a mudança total
Com Republicanos à frente
Ganhar aos Monarcas do mal
Que mantinham um pais doente
Naquela data tudo mudou
Com Monarquia a cair
Uma República entrou
Que fez muito povo sorrir
Vivas à República, se gritaram
Por um povo forte e valente
Que nas caravelas navegaram
P´ra aquela data presente
Muitas esperanças se tiveram
E algumas ambições desmedidas
Houve tantos que não quiseram
Que todas fossem cumpridas
Depois, nova revolução aconteceu
Numa madrugada de Abril
O povo outras promessas conheceu
Que não foram cumpridas, nem mil
E chega-se a um presente de agora
Com anos, de Repúblicas passadas
Sonhando o povo com a hora
Do nascer de novas madrugadas
E muitos Outubros passaram
E alguns Abril também
E tantos do povo choraram
Porque ainda ninguém está bem
E o povo continua na fé
De muitas mudanças haver
Quase todos são Republicanos, pois é
Que querem ver Portugal vencer
De: fernando ramos